“O PS vai ter de decidir se quer ou não ganhar as legislativas”, avisou Marcelo Rebelo de Sousa, no seu espaço de comentário semanal na TVI. O ex-líder social-democrata elogiou o silêncio da coligação e o facto de PSD e CDS estarem alinhados, “independentemente das simpatias ou antipatias e das sensibilidades sobre as presidenciais ou sobre a liderança de partido”, por oposição à fragmentação dos socialistas.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que, na vida política, quando há divergências profundas, há “certos setores que acham que a melhor maneira de enfrentar o futuro não é tanto a vitória do partido, se isso significar a vitória de uma sensibilidade ou de um líder de que desgostam”. E explicou:

“Pode haver quem no PS pense o seguinte: se a coligação ganhar sem maioria absoluta e se Costa cair na noite das eleições, o que é facto é que Passos Coelho não dura depois mais do que um ano, um ano e meio, e nós temos condições de ir ao poder com outra liderança que não António Costa.”

Apostar nesse jogo “é um risco”, alertou o político comentador, lembrando que, para o PS, a margem para alinhavar uma estratégia vencedora “está cada vez mais apertada”, após o ruído causado pelo caso Sócrates e pelos dois candidatos fortes às presidenciais, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.

Sobre as eleições presidenciais de 2016, Marcelo já tinha dito na semana passada que, a apresentar-se como candidato, isso só acontecerá depois das legislativas de 4 de outubro. E elogiou a decisão dos sociais-democratas de não terem convidado para a Universidade de Verão do PSD “nenhum dos nomes que podia ser especulado como sendo potencial candidato a candidato”, casos do próprio Marcelo Rebelo de Sousa, de Rui Rio e de Santana Lopes.

“Acho muito inteligente”, disse. Senão, a rentrée política podia transformar-se “num desfile de pseudo-candidatos (…) e o partido fazia para pior aquilo que já acontece no PS, porque seria o próprio partido a organizar a fragmentação interna”, sublinhou.

Sobre a divergência dos debates para as legislativas, que marcou a semana, o ex-líder social-democrata lamentou que o debate com todos os cabeças de lista das candidaturas com assento na Assembleia da República, marcado para 22 de setembro, aparentemente “não se vá realizar”, numa campanha já de si “muito pobre do ponto de vista dos debates”.

“As pessoas estão um bocadinho cansadas da campanha”, lamentou, acrescentando que o conteúdo também tem sido “muito pobre”.