O secretário-geral comunista, que concorre às legislativas coligado com “Os Verdes”, reconheceu poder vir a apelar ao voto no candidato presidencial à esquerda mais bem posicionado que não o do PCP, em entrevista à TVI.

Jerónimo de Sousa, que esteve a responder a perguntas de jornalistas, jovens cidadãos e comentadores na redação do canal televisivo de Queluz de Baixo, lembrou que o próprio já esteve na corrida ao Palácio de Belém, por duas vezes, tendo desistido numa delas, em favor do futuro Presidente, Jorge Sampaio, mantendo-se na outra até final, com os socialistas Mário Soares e Manuel Alegre a digladiarem-se e Cavaco Silva a vencer.

“Nesse passado, o PCP nunca regateou um apoio, uma solução, para bem da democracia, da Constituição, colocando na Presidência da República quem pudesse dar essa contribuição positiva”, disse o líder comunista, questionado sobre a possibilidade de desistir, logo à 1.ª volta, para inviabilizar o previsível candidato ao mais alto magistério da nação do centro-direita.

Segundo o secretário-geral do Partido Comunista Português, “para aqueles que acusam o PCP de sectário, de não querer entendimentos, as presidenciais são bem o exemplo daquilo que é o partido”.

“Esteja em causa a democracia, a Constituição… e, naturalmente, com candidato próprio ou com um desfecho de uma segunda volta, o PCP não faltará, não fará apelos ao voto em branco. Terá uma intervenção ativa. Tudo fará para que este objetivo seja alcançado”, afirmou, frisando que, “agora” é tempo das eleições para a Assembleia da República.

Críticas a Cavaco Silva

Falando sobre as declarações de Cavaco Silva que esta quinta-feira defendeu a possibilidade de um acordo de incidência parlamentar para a formação de um Governo caso não haja maioria absoluta de um partido, Jerónimo de Sousa foi claro e direto: “O Presidente da República está claramente a exagerar nos seus poderes que a Constituição da República consagra. Deixemos os eleitores decidir”, afirmou.

O secretário-geral do PCP explicou que a Cavaco Silva cabe ouvir o partido mais votado nas legislativas de 4 de Outubro, mas que cabe ao Parlamento e aos partidos que ali estarão representados, determinar a solução.

Contactos com PC Chinês sobre privatizações

Quando questionado sobre a venda de algumas empresas públicas portuguesas a grupos empresariais chineses, Jerónimo de Sousa admitiu ter contactado o Partido Comunista Chinês, para se abeirar da situação. E critica a coligação.

“Nós fizemos deslocações à China. E fizemos no quadro das relações que existem entre os dois partidos. Naturalmente que tivemos uma grande franqueza perante o Partido Comunista Chinês, afirmando o nosso ponto de vista, considerando aquilo que é o imperativo nacional, aquilo que é o interesse de Portugal e dos portugueses. Obviamente que o problema não está nos chineses, mas nos governos que privatizam e entregam as empresas públicas aos estrangeiros. Os chineses estão a fazer o seu trabalho, o seu papel. O Governo é que não está a fazer o seu”, explicou o secretário-geral do Partido Comunista Português.