Mariam Malak estaria confiante. Ou, pelo menos, ciente de que as suas capacidade lhe davam boas hipóteses para conseguir o que pretendia — entrar no curso de medicina. Porquê? Uma linha chega para o explicar: Mariam era uma das melhores alunas do Egito nos últimos anos e as pautas diziam isso mesmo. Apenas faltava registar notas elevadas o suficiente para a média de sete disciplinas lhe abrir a porta da universidade. Estudar, preparar-se, fazer os exames e esperar pelas notas. A estudante fê-lo e o problema apareceu quando olhou para as pautas que, desta vez, só lhe mostraram zeros. Mariam Malak tinha chumbado em todos os exames.

Pior, não tinha sequer conseguido obter um registo numa escala de zero a 100%. Uma das alunas que melhores notas tivera nos anos anteriores passava, talvez, a ser a pior do Egito. Mariam ficou chocada porque não conseguia acreditar. Suspirou, revoltou-se, protestou. As queixas chegaram ao Ministério da Educação egípcio, que resolveu submeter a jovem a testes de caligrafia, para aferir se, de facto, fora ela a escrever apenas as perguntas nas folhas de exame — já que, alegadamente, Mariam Malak deixara todas as respostas em branco. “Fiquei completamente chocada. Não conseguia ouvir ninguém, nem falar. Pensei: ‘Como é que isto aconteceu? Como é que tirei zero a tudo?’”, desabafou, em entrevista à BBC.

A sua indignação foi crescendo, aumentando de tom. Mais ainda quando, uma vez cumpridos cinco testes de caligrafia, o governo egipcío comunicou que, de facto, as folhas de exame pertenciam a Mariam Malak. A jovem e a família recusaram-se a aceitar a deliberação do Ministério da Educação. Continuaram a protestar e a causa foi ganhando notoriedade. Criou-se uma página de apoio no Facebook, que vai com mais de 37 mil seguidores, e o caso chegou à televisão do país. Mariam foi convidada a participar num programa. Aceitou e, em direto, realizou outro teste de caligrafia que, escreve a cadeia de televisão britânica, mostrou uma escrita “marcadamente distinta” à visível nas folhas de exame.

Não se sabe quando Mariam realizou os exames, tomou conhecimento das notas e participou nos testes de caligrafia. Foi noticiado, contudo, que o primeiro-ministro egipcío, Ibrahim Mahlab, aceitou reunir com a família de Malak, a quem terá comunicado que irá analisar o caso.

E tudo isto aconteceu, porquê? Ninguém sabe. Ao início, suspeitou-se que as notas de Mariam Malak teriam sido manipulado por a jovem e a família pertencerem à minoria dos Cristãos Coptas do Egito. Esta teoria não durou muito tempo e, hoje, suspeita-se que este seja um simples caso de corrupção, já que, com a atenção mediática que Mariam tem recebido, outro aluno também se queixou em público de estar a ser alvo de uma situação semelhante. Resta esperar, e ver, como tudo vai acabar.