Voltou-se a fazer história. Esta quinta-feira, pela primeira vez, um chefe da Igreja católica discursou ao Congresso norte-americano, no Capitólio, em Washington D.C..  O Papa apelou aos Estados Unidos para que utilizassem o seu poder para curar as “feridas abertas” no planeta, causadas pelo ódio, cobiça, pobreza e poluição, escreveu o New York Times.

O Papa Jorge Bergoglio aproveitou a ocasião para defender a imigração e criticar o capitalismo. Também pediu aos Estados Unidos para rever a legislação sobre a posse de armas e sobre a pena de morte. “Se os políticos estão verdadeiramente a serviço do ser humano, então ele não pode ser um escravo da economia e das finanças”, defendeu o Papa Francisco enquanto recordava Abraham Lincoln e Martin Luther King na sua luta pelo “maior bem comum”. E também se referiu aos últimos acontecimentos sobre a violência aplicada aos grupos minotários de negros a que os Estados Unidos têm assistido, recorda a CNN.

Numa altura em que os Estados Unidos acabam de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todos os estados, o Papa Francisco quis defender a liberdade religiosa, a família tradicional e a preservação da vida “em qualquer estágio de desenvolvimento”, numa referência à questão do aborto. “Só posso reiterar a importância e, acima de tudo, a riqueza e a beleza da vida em família”, acrescentou o bispo de Roma.

Sobre a crise de refugiados vindos do Médio Oriente na tentativa de recomeçarem vida no Ocidente, o Papa Francisco sugeriu que os Estados Unidos têm um dever moral de receber alguns dos dos imigrantes porque “a maior parte dos que o ouviam “foi imigrante. Digo-vos isto como filho de imigrantes, sabendo que muito de vós são também descendentes de imigrantes”. Jorge Bergoglio é filho de uma italiana que se mudou para a Argentina e pediu aos Estados Unidos que olhassem para esta onda de imigração como um grupo de pessoas necessitadas e não como uma estatística, conta o USA Today. O Papa Francisco também não deixou escapar o fenómeno da imigração vinda do sul da América em direção a norte, muitos sem documentos legais. A seguir, pediu que se ultrapassassem as “diferenças históricas ligadas a episódios dolorosos do passado”, algo lido como referindo-se às decisões de Barack Obama para restabelecer políticas cordiais com Cuba e o acordo nuclear com o Irão.

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O ambiente também foi passagem obrigatória no discurso do Papa nos Estados Unidos, uma vez que os conservadores norte-americanos tendem a duvidar da verdadeira influência do homem nas alterações climáticas que a Terra tem atravessado. Ainda assim, Bergoglio pediu ao governo que se esforçasse para atenuar a “deterioração ambiental causada pela atividade humana”, uma vez que o Ambiente é um dos seus temas de eleição, como se viu pela encíclica que lhe dedicou.

À hora de almoço de Washington, o Papa Francisco vai encontrar-se com um grupo católico da cidade dedicado aos sem-abrigo. A seguir vai para Nova Iorque e passear de carro por Manhattan, onde realizará uma missa na Catedral de St. Patrick, informa o Wall Street Journal. A viagem do líder máximo da Igreja Católica vai durar seis dias.