O livro “Uma história da curiosidade”, de Alberto Manguel, é apresentado pelo jornalista Carlos Vaz Marques esta terça-feira ao final da tarde, com a presença do autor, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A obra, traduzida por Rita Almeida Simões, é publicada com a chancela da Tinta-da-China, que, em 2013, editou, do autor argentino, o “Dicionário de lugares imaginários”.

A obra divide-se em 17 capítulos, cujos títulos são interrogações, nomeadamente “O que é a curiosidade?”, “O que queremos saber?”, “Como raciocinamos?”, “Como questionamos?”, “Quem sou eu?”, “O que fazemos aqui?” ou “O que é verdadeiro?”.

Em 2013, em declarações à Lusa, Manguel, de 67 anos, disse que estava a trabalhar “muito devagar” em “Uma história da curiosidade”, sobre a qual se interrogava constante.

Na introdução da obra o autor afirma isso mesmo – “Sou curioso acerca da curiosidade” – e argumenta que uma das primeiras palavras que se aprende em criança é “porquê?”

“Porque queremos saber mais acerca do mundo misterioso em que involuntariamente entramos, em parte porque queremos compreender como é que funcionam as coisas nesse mundo, e em parte porque sentimos uma necessidade ancestral de nos relacionarmos com os outros habitantes desse mundo, após os nossos primeiros balbucios e arrulhos, começamos a perguntar ‘porquê?'”, argumenta.

No texto, o autor refere as suas leituras de Michel de Montaigne (1533-1592), o filósofo quinhentista francês, de quem se afirma amigo desde a adolescência, para afirmar que “talvez toda a curiosidade possa ser resumida na famosa pergunta” deste autor, “Que sei eu?”, que aparece no segundo livro dos seus “Ensaios”.

Também na introdução, o autor crítica os sistemas de ensino, que “não fomentam o pensamento em si mesmo e o livre exercício da imaginação”.

“Interessados em pouco mais do que a eficácia material e o proveito financeiro, as nossas instituições educativas já não fomentam o pensamento em si mesmo e o livre exercício da imaginação”, afirma Manguel.

“As escolas e os colégios tornaram-se campos de treino para mão-de-obra qualificada, em vez de fóruns de questionamento e discussão, e as faculdades e universidades já não são viveiros para os indagadores a que Francis Bacon chamou, no século XVI, ‘mercadores de luz’. Ensinamo-nos a perguntar ‘quanto custa?’ e ‘quanto tempo demora?’, em vez de ‘porquê?'”, escreve Manguel.

Ensaísta, organizador de antologias literárias, tradutor, editor e romancista, Alberto Manguel, que vive num antigo priorado em França, multiplica a sua obra por diversos géneros, do conto ao ensaio e ao romance, abrindo caminhos através da literatura.

Na juventude, foi leitor do escritor argentino Jorge Luís Borges, quando o autor de “O jardim de caminhos que se bifurcam” perdeu a visão.

Nascido em Buenos Aires, filho de um diplomata, Manguel cresceu em Telavive, viveu em Toronto, onde adquiriu a cidadania canadiana, percorreu a Europa, antes de se fixar em França.

“Uma história da leitura”, “O amante extremamente minucioso”, “Por um novo elogio da loucura”, “Todos os homens são mentirosos”, “Uma biografia da Ilíada e da Odisseia de Homero” e “Dicionário de lugares imaginários” são algumas das obras do escritor.