Durou pouco mais de três meses a linha de elétricos turísticos entre o Largo Camões e o Príncipe Real, em Lisboa. O serviço do Chiado Tram Tour foi suspenso no início desta semana, como agora se pode ler nas paragens do curto percurso. O Observador tentou perceber junto da Carris, na terça-feira, o motivo da suspensão do serviço, mas a transportadora ainda não deu respostas.

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É este o aviso que se encontra agora na paragem do elétrico Foto: Fábio Pinto/ Observador

Inaugurado com pompa e circunstância a 28 de maio, o Chiado Tram Tour começou nessa altura a fazer um trajeto de 900 metros que custava seis euros por pessoa. Os trabalhos de manutenção que antecederam a abertura dessa linha deixaram alguns lisboetas esperançosos de que a carreira 24, desativada há 20 anos, pudesse regressar. Mas não, tratava-se de um serviço destinado apenas a turistas e com um percurso substancialmente menor do que o que fazia o 24. Aquando do encerramento, o percurso da carreira era entre o Cais do Sodré e Campolide.

A Câmara Municipal de Lisboa continua a querer reativar a linha 24, apesar de a Carris reiteradamente afirmar que “não é uma prioridade” para a transportadora. No projeto de requalificação da Rua de Campolide, inserido no programa Uma Praça em Cada Bairro, a câmara tem prevista a “criação na praça do término da revitalizada carreira de elétrico 24”.

Essa é também uma exigência da Plataforma 24E, que tem há meses uma petição na internet a pedir o regresso da carreira. Num comunicado enviado às redações, a plataforma apelida de “perfeitamente previsível” a suspensão do serviço e sublinha a necessidade de se voltar a apostar no elétrico enquanto meio de transporte público ecológico. Para os signatários da petição, “a circulação do eléctrico na linha do 24 deverá sê-lo em regime de transporte público, como qualquer outra linha de eléctrico, como por exemplo o famoso 28” e não exclusivamente para turistas, como aconteceu nos últimos meses.

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Segundo o jornal O Corvo, na inauguração o Chiado Tram Tour, o presidente dos Transportes de Lisboa, Rui Loureiro, disse aos jornalistas que “há uma tendência, que não é de agora, de passar os eléctricos todos para o serviço turístico”, mas essa visão não é partilhada por João Filipe Guerreiro, promotor da petição pelo regresso da linha 24. “O turista típico não paga 15 euros para ir do ponto A ao B” num circuito, “mas paga a tarifa de bordo” de uma carreira normal, dizia em maio ao Observador. Como os elétricos turísticos andavam frequentemente vazios, o tempo parece ter-lhe dado razão.