Em exclusivo ao Observador, José Rodrigues dos Santos reagiu à polémica e diz tratar-se de uma série de erros, devido a uma “proposta de pivot equívoca” que o levou a confundir os protagonistas da peça sobre os novos deputados no Parlamento. As imagens colocadas na promoção da peça diziam respeito à deputada pensionista, quando o apresentador falava num deputado de 70 anos. José Rodrigues dos Santos conta que pensou que “o deputado de 70 anos e a pensionista se tratavam da mesma pessoa”.

Em declarações ao Observador, José Rodrigues dos Santos explica a situação: “Os repórteres apresentam-nos propostas de pivot em que eles explicam o que está na peça e depois nós, apresentadores, reescrevemos aquilo à nossa maneira. A proposta é a seguinte: há uma série de rostos novos no Parlamento, um é um deputado de 70 anos que é o mais velho, uma pensionista… E o que é que eu pensei? Que o deputado de 70 anos é uma pensionista. Não diz lá o nome. Mas houve uma coisa que achei estranho, porque diz “o deputado” e “a pensionista”; podia ter dito “a deputada”, mas eu fiquei “bom, se calhar usou “o deputado” como género neutro, e mantive deputado”. E quando o Telejornal está no ar, entra uma promoção à peça. Aí o texto é meu mas não sou eu que ponho as imagens. E na promoção puseram a imagem da pensionista, e eu digo ‘deputado de 70 anos’ e olho para a imagem e vejo que é uma mulher. E dizer que um deputado de 70 anos é uma pensionista até faz algum sentido. Não vi nenhuma anomalia ali”.

Portanto, a situação que está a originar acusações de homofobia é descrita pelo apresentador do Telejornal como uma série de mal entendidos. “Há aqui duas situações: o primeiro pivot é equívoco, porque me remete o deputado para uma pensionista. E depois quando eu vejo a promoção as imagens não são colocadas por mim mas pela produção do Telejornal e, quando eu refiro o deputado de 70 anos, põe por cima a imagem da senhora. Eu olho para aquilo e quando chega o pivot e penso ‘eu vou insultar a deputada se não disser que é uma mulher’. Faço uma correção de improviso para salvaguardar a deputada, pensando eu que estava a falar do deputado que era a pensionista, e afinal era uma outra pessoa. Eu nunca refiro o nome dele sequer. Se eu dissesse o nome, eu via que era um homem. Eu só percebo que é um homem quando entra a peça no ar. A proposta de pivot nunca diz o nome dele. Pensei que a pensionista era a referência ao deputado de 70 anos. Só depois percebi que era uma segunda pessoa”.

A RTP também já emitiu um esclarecimento, repetindo a palavra “equívoco”: “Na verdade, esta associação aconteceu porque na peça fazia-se referência a uma mulher eleita pelo Bloco de Esquerda, uma pensionista de 68 anos. O apresentador, quando lançou a reportagem, acreditou que se tratava da mesma pessoa.” Os erros são sempre de evitar mas, como qualquer pessoa que trabalha no jornalismo ou em qualquer outra profissão sabe, por vezes acontecem.”

Durante o Telejornal desta quinta-feira, o jornalista pediu desculpa a Alexandre Quintanilha e a Domicília Costa: “Ontem, por equívoco, referi que o deputado mais velho eleito para o parlamento era uma mulher. Na verdade, o deputado mais velho é Alexandre Quintanilha.”

A polémica

Numa notícia sobre a nova composição do parlamento saída das eleições de domingo, José Rodrigues dos Santos referiu-se em direto a Alexandre Quintanilha da seguinte forma: “O deputado mais velho tem 70 anos e foi eleito, ou eleita, pelo PS”. O noticiário de ontem está aqui e a frase ocorreu aos 44:47.

O facto de Alexandre Quintanilha ser casado com Richard Zimler deve servir apenas para dar contexto à suposta piada feita por Rodrigues dos Santos, que já está a ser fortemente contestada nas redes sociais.

https://twitter.com/martins_ana/status/652061628696002560

A RTP ainda não esclareceu se será tomada alguma ação sobre esta atitude de José Rodrigues dos Santos. Por outro lado, a ILGA – Intervenção Lésbica, Gay, Bisexual e Transgénero, já reagiu, assumindo em comunicado que “é evidente a intenção do apresentador de humilhar Alexandre Quintanilha em função da sua orientação sexual, recorrendo de resto ao género como forma de humilhação.” E por isso espera “não só um pedido de desculpas público e uma reiteração do compromisso da RTP com a não-discriminação, mas sobretudo que existam também as consequências devidas no plano disciplinar”.

O Partido Socialista também já reagiu, tendo transmitido à direção da RTP um protesto formal “pelo comportamento inaceitável do pivot do Telejornal da RTP 1 de ontem e exigindo um pedido de desculpas e uma tomada de posição pública da RTP sobre o assunto.” O assunto será abordado no Telejornal e a RTP espera com isso enterrar a polémica.