O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, indicou esta sexta-feira que em 2015 já ocorreram no país 490 ataques xenófobos contra centros de acolhimento para refugiados, e alertou para um crescente aumento destas ações.

Em declarações a periódicos do grupo alemão Finke, o ministro disse estar preocupado pelo “radical aumento de agressões xenófobas contra os requerentes de asilo”, e sublinhou que dois terços dos suspeitos destes ataques são “cidadãos da região, que até ao momento não tinham cometido qualquer delito”.

O titular da Justiça, Heiko Mass, considerou tratar-se de um “amargo balanço”.

“Este aumento é uma vergonha para o nosso país. Qualquer agressão xenófoba contra um albergue de refugiados é um ataque aos nossos valores fundamentais”, afirmou o ministro, antes de assegurar que “não se vai ceder terreno face aos organizadores e autores reais” destes atos.

“Todas as leis do Estado de direito devem ser aplicadas com toda a dureza contra quem comete um delito, contra quem ataca refugiados e voluntários”, advertiu.

O ministro do Interior sublinhou que os autores destes ataques, que incluem agressões físicas, tentativas de assassinato e incêndios provocados, devem entender que cometem “delitos inaceitáveis”.

“É uma vergonha para a Alemanha”, reforçou, para acrescentar que não se deve “olhar para o outro lado” perante estes ataques.

Na quinta-feira, durante uma visita a um centro de acolhimento em Passau, sul da Alemanha, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, considerou que a crise dos refugiados vai prolongar-se “durante anos” e reafirmou não alimentar “qualquer ilusão” sobre esta questão.

“Devemos dizer às pessoas que não é qualquer coisa de passageiro, de provisório, e que devemos viver durante muito tempo com este problema”, referiu.