Apesar do ambiente tenso que se viveu esta sexta-feira no Parlamento, no primeiro dia da nova legislatura, houve momentos de descontração e bom-humor. 

1 – Legislatura nº 13 e à sexta-feira

Que dizer de uma legislatura que é a 13ª e que começou a uma sexta-feira? Que pode durar apenas alguns dias? Que esse Governo pode cair com uma moção de rejeição do programa de Governo? Que o líder da oposição pode passar de repente a chefe do Governo? Sim, parece que sim. Mas, vá, é preciso mesmo ter azar. Desde o dia das eleições, a 4 de outubro, que se percebeu que esta seria uma legislatura conturbada. Não precisava de tantos sinais cabalísticos.

2 – A bancada do Bloco Central

União entre PS e PSD não há. O ambiente é tenso e, pela primeira vez, esquerda e direita formam na Assembleia dois blocos sólidos que aplaudem e criticam quase em sincronia. No meio da guerra, contudo, há uma e só uma bancada Bloco Central. E quem são eles? O ex-assessor político do primeiro-ministro, Miguel Morgado, a vice-presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, o líder da concelhia do PS do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro, e João Paulo Correia, que já era deputado do PS.

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3 – “Paulo Sacadu… Ah, já não é”

A sessão da tarde começou com a eleição do presidente do Parlamento. Um a um, os 230 deputados são chamados a depositar o voto na urna colocada no meio do hemiciclo à boa maneira tradicional, dispensando o uso do voto eletrónico. Duarte Pacheco, o deputado do PSD que é secretário da mesa da Assembleia, diz o nome completo de cada um dos deputados. Quando chega à letra P: “”Paulo Sacadu… Ah, já não é”. Trata-se de Paulo Sacadura Cabral Portas, líder do CDS e vice-primeiro-ministro, que foi eleito mas que pediu logo a suspensão do mandato à semelhança dos outros membros do ainda atual Governo.

4 – A deputada esquecida

No final da chamada aos deputados, nova interrupção. “Houve uma deputada eleita pelo círculo de Lisboa que não foi chamada”, queixou-se o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães. Estava a referir-se a Ana Rita Bessa, economista e atual quadro do grupo Leya, que foi então autorizada a votar. Bessa é uma estreante no Parlamento e foi apresentada no CDS por Portas como uma das novas estrelas do partido.

5 – “Onde é a saída?”

Esta é a frase mais vezes repetida pelos deputados estreantes. Caso para dizer que mal entram em S. Bento, ficam logo com vontade de fugir? Não, não é bem assim. Os deputados novos sentem-se perdidos dentro dos dois edifícios do Parlamento, o velho, onde se situa o hemiciclo e a sala do Senado e o novo, onde está a maior parte dos gabinetes dos deputados. Os longos corredores, as muitas portas e escadarias baralham os mais inexperientes. Para além do acolhimento que os funcionários do Parlamento fazem, também os próprios grupos parlamentares prepararam sessões de boas-vindas. Na última sexta-feira, por exemplo, o PS fez uma visita guiada aos mais novos e a pergunta era sempre a mesma. “E, agora, onde é a saída?”. A determinada altura, para sossegar um dos estreantes, um dos dirigentes socialistas, respondeu-lhe: “Não se preocupe. Houve um deputado que andou perdido três dias cá dentro até ser encontrado”.

6 – Uma urna do séc. XIX

urna

A urna onde, um a um, os deputados depositaram o voto é uma réplica feita em mogno, no início do século XIX, da urna que existiu na primeira Sala das Sessões dos Deputados no Palácio das Cortes. Faz parte do espólio do museu da Assembleia da República.

7 – Portas trocadas

É verdade que PS e PCP parece que estão a entender-se para formar uma maioria de esquerda, mas não é preciso andarem já a partilhar gabinetes. Deve ter sido isso que pensou o socialista José Luís Carneiro, líder do PS-Porto, quando esta manhã se enganou na porta do grupo parlamentar e, em vez de entrar na porta onde diz “Grupo Parlamentar do PS” entrou na do PCP. Mal abriu a porta, recuou de mansinho antes que alguém notasse. No frenesim e com tantos deputados estreantes no Parlamento, foi um dia de vários enganos.

8 – PAN saltitante

Tinha ficado combinado que o deputado do PAN, André Silva, se sentaria na terceira fila ao lado dos deputados do PS. Mas o mais recente defensor dos animais no Parlamento andou indeciso. De manhã, ficou na terceira fila mas do lado do PSD, na parte da tarde, sentou-se do lado do PS. Bem que André Silva dizia, nas várias entrevistas que deu na campanha e já depois de eleito, que não sabia se era de esquerda ou de direita.

9 – Fotografias ao voto secreto

O momento era solene, mas houve deputados a fotografar o boletim de voto. Segundo deputados do PSD, terá havido socialistas a registar para a eternidade o momento. Isso ou para mostrar ao chefe que tinham cumprido a ordem. Na verdade, o presidente eleito do Parlamento, Ferro Rodrigues, só teve duas abstenções.

10 – A deputada mais cor de rosa

O primeiro dia é também o momento de mais caprichar na indumentária. Havia vários modelos de destaque, mas o politicamente mais relevante era mesmo o da deputada do CDS Isabel Galriça Neto que, da ponta oposta ao PS, ostentava um casaco cor de rosa. Sinal de boa vontade para António Costa?