Governo

Passos: Se deitarem “tudo a perder” quem paga “é a classe média”

1.804

Passos Coelho falou como primeiro-ministro empossado, mas a nuvem negra de um futuro curto pairou no discurso. Cheio de recados acenou com o risco de mais sacrifícios se o caminho for alterado.

Passos: "Ninguém deve arriscar o bem-estar dos portugueses em nome de uma agenda ideológica ou de ambições políticas pessoais ou partidárias"

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Passos Coelho tomou posse esta sexta-feira de manhã como primeiro-ministro do XX Governo Constitucional. Mas nas palavras do recém-empossado não estavam palavras de medidas para futuro, como fez há quatro anos. Estavam sobretudo recados para António Costa, mesmo que o nome do líder do PS não fosse proferido. Para Passos, o país está melhor, está no rumo certo, deve abrir um “novo ciclo reformista” e consolidar a trajetória de crescimento. Se isso não acontecer sentencia: “Os desvios precipitados poderiam deitar tudo a perder”. E quem pagaria? “E seriam mais uma vez os portugueses, os mais desprotegidos e mais vulneráveis – seria mais uma vez a classe média – a pagar o preço, como foi pago no passado”.

Ao contrário do Presidente da República, Passos Coelho nunca falou de estabilidade política. Mas falou dos seus efeitos. O primeiro-ministro sabe que a esquerda unida promete mandar o seu Governo abaixo mal possa, ou seja, no próximo dia 10 quando for votado o respetivo programa, e por isso fez um discurso virado para a necessidade de não ignorar o colete de forças que o país ainda tem. Disse Passos Coelho:

Dado que os constrangimentos são apertados, temos de lidar com eles, e não ignorá-los numa vertigem voluntarista”. Até porque “aprendemos custosamente nestes anos que só podemos alcançar o que desejamos começando por trilhar os caminhos necessários. Fizemos esse caminho e recuperámos a confiança e a ambição. São ativos que não podemos desperdiçar”.

Na mesma senda de acenar com os problemas futuros, Passos Coelho atirou à esquerda: “Ninguém deve arriscar o bem-estar dos portugueses em nome de uma agenda ideológica ou de ambições políticas pessoais ou partidárias”.

No curto discurso, Passos Coelho reforçou ainda que o primeiro Governo que liderou conseguiu algumas conquistas, apesar dos constrangimentos a que esteve sujeito. E para o tempo que agora começa, o primeiro-ministro promete “diálogo e compromisso”. Disse que “a construção de entendimentos estende-se a todas as forças políticas, cívicas e sociais”. “A conjuntura parlamentar, em que a maioria que suporta o Governo é relativa e não absoluta, apenas reforça essa necessidade. Mas ela é ditada, no princípio e no fim, pelos desafios que o país tem pela frente”.

A seguir à tomada de posse, os 16 ministros e Passos Coelho reúnem-se em Conselho de Ministros para começarem a discutir o programa de Governo, que será discutido e votado nos dias 9 e 10 de novembro.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: [email protected]
Governo

Nunca haverá impostos que cheguem /premium

Helena Garrido
173

Manuais escolares e descentralização, ou como o Estado vai aumentando a despesa pública. São medidas que trazem custos certos e benefícios incertos ou nulos. Com a descentralização podemos até piorar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)