Uma investigação interna da Volkswagen detetou “irregularidades” nas emissões de dióxido de carbono (CO2) em mais 800 mil veículos, incluindo motores a gasolina dos modelos Polo e Golf. 

O grupo alemão revelou que a investigação desencadeada na sequência do escândalo da manipulação de emissões nos carros a gasóleo revelou “inconsistências”, desta vez ao nível das emissões de dióxido de carbono (CO2), abrangendo também automóveis a gasolina, mas num número muito mais reduzido do que o chamado dieselgate. O novo presidente executivo promete que a VW não vai parar até que todos os factos relacionados com este escândalo fiquem esclarecidos. 

Desta vez, o construtor alemão admite que o consumo de combustível e o nível de emissões “foram fixados a um valor demasiado baixo no processo de certificação do CO2”, revela uma nota citada pela agência Bloomberg. A Volkswagen estima que o risco económico desta nova leva de veículos será de dois mil milhões de euros. O grupo já tinha constituído uma provisão de 6,7 mil milhões de euros para financiar o impacto da crise das emissões. 

O CO2 é a grande preocupação da Europa 

A VW adianta que a maioria dos motores apanhado são diesel, o que significa que pela primeira vez haverá carros a gasolina envolvidos no escândalo da manipulação de emissões.

O ministro dos Transportes alemão, Alexander Dobrindt, admitiu entretanto que neste grupo haverá 98 mil automóveis a gasolina, ou seja, cerca de 12% do total. O governante revelou ainda que 200 mil veículos andarão a circular nas estradas do país. 

Mais relevante poderá a admissão de problemas ao nível do dióxido de carbono.

O limite às emissões de CO2 é o fator central da política europeia de controlo dos gases de efeito estufa, também no setor automóvel. Por exemplo, em Portugal, o valor do imposto sobre veículos automóveis cobrado em cada modelo é fixado em função do nível de emissões de CO2.

Até agora, o kit fraudulento instalado nos carros da VW para manipular o resultado dos testes a emissões de dióxidos de azoto (NOx) estava centrado no diesel. Este escândalo, descoberto nos Estados Unidos, envolve já 11 milhões de carros a nível mundial, dos quais 117 mil em Portugal.

Muitos destes modelos estão associados a motores mais potentes. A agência ambiental americana divulgou esta semana que o problema também afeta motores de 3 litros, incluindo carros a diesel da marca Porsche, informação que a Volkswagen negou. 

As “inconsistências” reveladas agora na investigação interna apontam também na direção das emissões dióxido de carbono em modelos de menor dimensão com motores de 1.4 litros como o Polo e o Golf, bem como alguns veículos da Seat, Skoda, e os Audi A1 e A3, de acordo com informação avançada pelo Daily Telegraph.

Num comentário à revelação de irregularidades nas emissões do CO2, Mattias Mueller, o novo presidente executivo da Volkswagen, deixa a promessa.