Desde outubro de 2014 que as secretas europeias esperavam um grande ataque em solo europeu como resposta aos ataques aéreos às forças do Estado Islâmico na Síria. O atentado terrorista ao jornal satírico “Charlie Hebdo”, do qual resultaram 12 mortes, perpetuado pelos irmãos Kouachi nunca foi visto na comunidade das informações como “o grande ataque”. Sendo certo que a França era vista como o país mais ameaçado.

Essa ameaça saiu reforçada com a intensificação dos bombardeamentos ao EI nos últimos meses e a entrada da Rússia na escalada militar na Síria. Tudo porque os serviços de informações da França, Bélgica, Holanda e Alemanha começaram a detetar o ano passado um movimento significativo de regresso dos combatentes europeus do EI à Europa. Esse regresso já era visto em Outubro de 2014 na comunidade de informações, de acordo com as informações então recolhidas pelo Observador, como um indício claro de que o grupo terrorista estaria a preparar uma ação em grande escala.

Desse movimento de regresso, detetado através da cooperação dentro do Espaço Schengen que permitiu identificar a identidade dos 2000 a 2500 europeus que tinham partido entre 2013 a 2014 para Síria para se juntarem ao EI, a França e a Bélgica estavam em claro destaque. Eis os dados recolhidos pelas secretas francesa, belga, holandesa e alemã:

  •  Dos 2000 a 2500 que que partiram, regressaram cerca de 300 combatentes à EuropaFrança e Bélgica foram os países favoritos para o regresso. Na maior parte serão cidadãos dos dois países mas também há casos de outras cidadanias europeias;
  • 194 regressaram para a França e 86 para a Bélgica;
  • Enquanto que 32 escolheram a Holanda para viver e 25 foram para a Alemanha

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Tentando seguir o rasto dos combatentes regressados, as quatro secretas europeias identificaram três grupos:

  1. Os que estarão desiludidos com o EI e terão abandonado terrorismo;
  2. Aqueles que regressam em busca de financiamento mas também para reforçar a capacidade de recrutamento através da intensificação da propaganda
  3. E o grupo das células adormecidas – praticamente impossível de detetar.

No segundo caso, foram mesmo identificadas ações de apoio ao EI em Haia (Holanda) a propósito de uma manifestação pró-Palestina realizada a 24 de julho de 2014, como o Observador noticiou. 

https://www.youtube.com/watch?v=3o443KJiBTU

Na Alemanha, verificou-se igualmente uma manifestação a 31 de julho com a participação de elementos do EI, o que levou as autoridades alemãs a proibir a utilização dos símbolos da organização terrorista no seu território. 

O mais significativo para os serviços de informações, contudo, foram as ações frustradas que se verificaram na Europa com ameaças detetadas na França, Bélgica e Noruega.

Mesmo depois do ataque ao Charlie Hebdo em janeiro pelos irmãos Kaouchi, e apesar de outra ação aparentemente coordenada que resultou num ataque a um supermercado judeu também em Paris, os serviços de informações ficaram vigilantes mas não conseguiram impedir a tragédia de ontem à noite.