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O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, descreveu esta quarta-feira o abate de um avião militar russo por um F-16 turco como uma “provocação [turca] previamente planeada”, e afirmou que a Rússia tem “sérias dúvidas que a ação não seja intencional”, relata a estação Russia Today.

Sergey Lavrov acrescentou que muitas parceiros da Rússia classificam o incidente como “uma emboscada evidente” e deu ainda a entender que existem terroristas que prepararam ataques noutros países a partir de território turco: sem especificar a que grupos ou terroristas se referia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do país presidido por Vladimir Putin disse ainda que o abatimento do avião militar russo ocorreu depois de uma série de bombardeamentos da Força Aérea do país a alvos terroristas, e que este incidente “traz novos esclarecimentos” sobre o assunto.

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Sergey Lavrov proferiu ainda duras críticas à NATO, dizendo que “se ouviram declarações muito estranhas depois de uma reunião da NATO organizada pelos turcos, que não expressaram nenhum arrependimento ou condolências, e cujo objetivo era na realidade abafar o que a Força Aérea turca fez ontem [terça-feira]”.

O ministro russo, que sublinhou não querer “entrar em guerra com a Turquia” – afirmou que a relação entre os dois países irá ser reconsiderada – e apelidou ainda a sugestão de François Hollande em fechar a fronteira entre a Turquia e a Síria como “uma boa sugestão”. “Muitas pessoas afirmam que fechar a fronteira iria eliminar com eficiência a ameaça terrorista na Síria”, acrescentou.

Sergey Lavrov afirmou ainda que não planeia enviar representantes russos à Turquia, ou receber altas patentes turcas no país, mas acrescentou que mantém os canais de comunicação abertos, e que já falou inclusivamente por telefone com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlüt Çavuşoğlu.

Entretanto, após Vladimir Putin ter vindo a público recomendar à população russa que não viaje até à Turquia pelo risco que tal acarreta, a agência de notícias Associated Press noticia que várias agências de viagens russas já pararam de vender pacotes turísticos. Note-se que a Turquia, a par do Egito, é um dos principais destinos turísticos dos cidadãos russos.

Ainda esta quarta-feira, segundo a Associated Press, vários manifestantes atiraram pedras e ovos junto à embaixada turca em Moscovo, partindo as janelas do edifício. A polícia interveio e terá feito algumas detenções no local, segundo a agência noticiosa norte-americana, que relata que todos os manifestantes terão sido retirados do local.

Os responsáveis russos já confirmaram também que foi resgatado um piloto do S-24 russo, abatido pela Força Aérea turca. O ministro da Defesa do país, Sergei Shoigu, afirmou a uma agência de notícias do país que a operação de resgate durou 12 horas e terminou na madrugada de quarta-feira. O piloto, segundo Sergei Shoigu, encontra-se “são e salvo” numa base aérea russa, situada numa das áreas sírias controladas pelo regime de Bashar al-Assad. O presidente russo Vladimir Putin confirmou posteriormente a informação a uma televisão local, segundo a Associated Press. O outro piloto é dado como morto.