O ex-presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, foi, esta quinta-feira, condenado a dois anos e 10 meses de prisão pelo Tribunal de Matosinhos. O ex-autarca, acusado dos crimes de abuso de confiança qualificada e falsificação de documentos, terá de pagar 35.700 euros caso queira escapar à prisão, avança a SIC Notícias que dá ainda conta de que Narciso Miranda irá recorrer da sentença.

Narciso Miranda está acusado de ter usado, em proveito próprio, 35.700 euros, dinheiro proveniente de uma subvenção estatal à sua candidatura à Câmara de Matosinhos, em 2009, ano em que concorreu como independente.

O coletivo de juízes do Tribunal de Matosinhos, no distrito do Porto, condenou ainda duas pessoas, ambas ligadas ao setor da construção civil, por prática, em coautoria, do crime de falsificação de documentos. Foram ambos condenados a um ano de prisão, suspensa na sua execução.

A acusação entendia que o ex-autarca teria usado uma fatura falsa de obras num edifício para justificar a despesa.

Durante o decorrer do julgamento, o antigo presidente realçou que a verba foi usada para fazer obras na sede de campanha — Associação Narciso Miranda-Matosinhos Sempre, que foi inaugurada em cerimónia pública na presença de cerca de 2.000 pessoas.

Por seu lado, os inspetores da Polícia Judiciária (PJ) confirmaram que as buscas feitas à residência de Narciso Miranda tinham como objetivo encontrar uma fatura alusiva a obras, no valor de cerca de 30 mil euros, mas não a descobriram.

A fatura viria a ser encontrada numa empresa de construção civil, local onde a PJ também realizou buscas.

Em janeiro de 2015, Narciso Miranda, enquanto presidente do conselho de administração da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede Infesta (ASMSMI), em Matosinhos, foi absolvido de adjudicar serviços a empresas de que faziam parte familiares, alguns deles de forma ilegal ou nunca realizados, e simular o roubo de um ‘smartphone’ para receber um modelo mais recente.