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Arábia Saudita. Treze mulheres eleitas nas eleições municipais

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Salma bint Hizab al-Oteibi foi a primeira mulher eleita democraticamente no país, naquelas que foram as primeiras eleições abertas ao voto das mulheres. Mais 12, para já, seguiram-lhe o exemplo.

Mulheres sauditas depois de exercerem o direito de voto, algo que fizeram pela primeira vez na vida. Fotografia tirada em Riade, capital da Arábia Saudita, a 12 de dezembro de 2015

AHMED YOSRI/EPA

Salma bint Hizab al-Oteibi foi eleita na região de Meca, na Arábia Saudita, naquelas que foram as primeiras eleições abertas a mulheres, conta o Guardian. Foi apenas a terceira vez que o povo foi chamado a votar (2005, 2011 e 2015), mas desta vez as mulheres estavam aptas a participar e a candidatarem-se. Salma al-Oteibi, eleita em Madrakah, a 110 quilómetros de Meca, disputou as eleições contra sete homens e duas mulheres.

Mas Salma al-Oteibi não foi a única. Contabilizados os votos, pelo menos 13 mulheres acabaram eleitas nas eleições municipais deste sábado. As candidatas venceram em oito províncias, segundo indicam os resultados apresentados pelas comissões eleitorais de cada região e publicados nos media sauditas oficiais. Na região de Riade foram eleitas três mulheres, enquanto em Yeda (oeste), Al Ahsa (leste) e Al Quseim (norte) foram eleitas duas. Quatro mulheres vão ocupar postos em conselhos municipais em Meca (oeste), Al Yauf (norte), Tabuk (noroeste) e Yazan (sudoeste).

O ministério dos Assuntos Municipais e Rurais saudita deverá anunciar, ainda hoje, os dados definitivos e os números dos 2.106 candidatos eleitos para formar os conselhos municipais.

Uma das candidatas é Lama al Suleiman, empresária e vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Yeda, outra é Hoda al Yarisi, também empresária e membro da executiva da Câmara de Comércio e Indústria de Riade.

Segundo a Al Jazeera, a participação, no entanto, não terá passado dos 25%, algo a que este jornal atribui o facto de aquele povo não estar habituado a votar. Ou isso, ou como sugere o Guardian, terá havido algumas condicionantes, como problemas burocráticos para as mulheres se inscreverem e também ao nível do transporte. É que as mulheres não podem conduzir naquele país. Conclusão: apenas 130.000 eleitoras estavam registadas, contra 1.350.000 homens, informa o El País. A BBC avança ainda um número importante: estavam inscritas 978 candidatas nestas eleições, contra 5.938 homens.

A Arábia Saudita é uma monarquia absoluta que limita ao máximo o papel da mulher na sociedade. As mulheres necessitam do aval de um homem para estudar, trabalhar e viajar. Conduzir é impossível. Contudo, diz o El País, as jovens sauditas têm aproveitado a educação gratuita que o Estado promove, que inclui generosas possibilidades de estagiar no estrangeiro. As eleições municipais têm pouco impacto no destino do país, mas muito sauditas, sejam homens ou mulheres, consideram que é importante estar perto de tomada de decisões, por mais básica que seja.

A campanha eleitoral não foi fácil para as candidatas femininas, já que, na mesma linha política que rege o país, baseada na lei islâmica (sharia), a Comissão Eleitoral impôs a segregação total de sexos e proibiu que os candidatos de usarem fotografias na propaganda ou de discursarem perante pessoas de outro sexo.

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