No dia em que a campanha para as eleições presidenciais arranca oficialmente, o candidato Sampaio da Nóvoa tornou a falar do Partido Socialista numa entrevista ao Expresso, confessando que deseja conseguir o seu apoio. O independente admite que quer “imenso apoio o Partido Socialista” e diz que a sua candidatura tem raízes socialistas:

“Identifico-me com os valores socialistas? Identifico-me. Essa é a raiz da minha candidatura? É. Quero o apoio do PS? Quero imenso o apoio do Partido Socialista. Quero o apoio de todos.”

É sabido que o PS não declarou o seu apoio a nenhum candidato nestas eleições, que, além de ter Sampaio da Nóvoa a concorrer dentro da sua área política, também tem Maria de Belém, ex-presidente do partido. Perante esta indecisão, Sampaio da Nóvoa tornou a falar do apoio dos socialistas, mas desta vez centrando-se no secretário-geral e primeiro-ministro António Costa: “Espero que ele vote em mim”.

Durante a entrevista também foi referido o financiamento da campanha de Sampaio da Nóvoa, um dos temas que discutiu com Marcelo Rebelo Sousa naquele que foi o primeiro debate onde o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP demonstrou maior assertividade — na sexta-feira, viria a repetir essa postura no frente-a-frente com Maria de Belém. Perante o facto de a campanha de Sampaio da Nóvoa ser a segunda mais cara de todas (742 mil euros, ficando apenas ligeiramente atrás dos 750 mil de Edgar Silva), o candidato independente diz que “a democracia tem custos” e acusou Marcelo de no passado ter apoiado uma candidatura quatro vezes mais cara do que a sua:

É a afirmação mais populista, demagógica, errada e até antidemocrática que ouvi nesta campanha. A democracia tem custos. O professor Cavaco Silva na sua primeira campanha, apoiada por Marcelo, gastou três milhões de euros. Na sua segunda campanha, já PR, gastou quase dois milhões.”

Falando em Cavaco Silva, Sampaio da Nóvoa tornou a criticá-lo, fazendo “um balanço muito negativo” dos seus dois mandatos em Belém. Visão essa que, defende, é partilhada por muitos: “Diria que metade das pessoas que me abordam é para se indignarem contra o Presidente Cavaco Silva”.

Sobre o Presidente da República, aponta ainda que promoveu o consenso apenas “entre os mesmos, sempre do arco da governação”. Algo que, entretanto, mudou. O que leva Sampaio da Nóvoa a afirmar que o seu “prenúncio” de um acordo à esquerda é um pergaminho da sua candidatura a Belém:

“A coisa que melhor distingue a minha candidatura de todas as outras é que fui o único candidato que desde o primeiro dia de algum modo anunciou ou prenunciou a existência deste novo cenário político.”