O Ministério da Saúde enviou uma orientação aos hospitais, na sexta-feira, para que apresentem orçamentos com um “crescimento zero” para 2016, disse Marques Mendes este domingo, no comentário político que faz semanalmente no telejornal da SIC.

“Chegou aos hospitais uma orientação transmitida pelo Ministério da Saúde, para que não haja aumento nos orçamentos relativamente ao ano anterior. Provavelmente, não há alternativa. Mas face às expectativas que se criaram, então, apesar de tudo, não é assim tão diferente”, disse.

A medida do ministro Adalberto Campos Fernandes foi um dos pontos assinalados por Marques Mendes na análise aos 50 dias do Governo de António Costa. A este somou mais dois: a fatura de 11 mil milhões das primeiras decisões do Governo, como a reposição de salários e pensões, e “a sensação de que continuamos em campanha eleitoral”. “Não se pode passar o tempo a destruir o que estava feito, é preciso construir”, referiu.

De positivo aos 50 dias do Governo, Marques Mendes salientou o discurso de António Costa – “correto, realista e positivo” -, a equipa do primeiro-ministro num todo, “com exceção do ministro da Educação” e a forma como o executivo lidou com o caso Banif.

“Concorde-se ou não se concorde com a decisão, resolveu o assunto – coisa que o anterior governo podia ter feito e não fez. [Costa] resolveu atirar as culpas para cima do passado e ainda conseguiu esta coisa extraordinária: que o passado – o PSD – viabilizasse o orçamento. Isto é obra, é mestria política”, referiu.

Sobre o CDS/PP e a candidatura de Assunção Cristas à liderança do partido, Marques Mendes revelou que a ex-ministra fez um acordo com Nuno Melo, para que este fosse seu vice-presidente, caso ganhe a luta pela sucessão de Paulo Portas. “Ela geriu muito bem estas semanas, depois do anúncio da saída de Paulo Portas. Esteve calada. Gerir bem o silêncio é uma arma e ela usou-a bem”, disse Marques Mendes, acrescentando que Assunção Cristas “era a pessoa que Portas mais desejava” para o suceder. Sobre as eleições presidenciais, que ocorrem já no próximo domingo, o comentador diz que só há uma “grande dúvida”: o número de pessoas que se vão abster .