Esta quarta-feira um grupo armado entrou numa universidade no norte do Paquistão matando dezenas de estudantes. Um fracção dos talibãs paquistaneses, um grupo conhecido pelas iniciais TTP, ou Tehrik-i-Taliban Pakistan (Movimento Talibã do Paquistão) reivindicou, através de um dos seus comandantes, a responsabilidade por este ataque. No entanto, momentos depois, um porta-voz do mesmo grupo, Mohammad Khurrassani, desmentiu a informação condenando mesmo o ocorrido.

Quem é este grupo aparentemente fraturado, como parece indiciar esta contradição de comunicados?

O TTP terá sido fundado em 2007 e desde aí alega ter sido responsável por múltiplos ataques a civis e militares principalmente na área do país junto à fronteira com o Afeganistão. Esta região tem sido aproveitada por este tipo de grupos terroristas devido ao seu quase completo abandono. O mais mediático e mais mortífero de todos terá sido o que ocorreu em dezembro de 2014 a uma escola na cidade de Peshawar que provocou 145 mortos, incluindo 132 crianças.

Como na maioria das organizações deste género, a sua atuação e violência é justificada por um objetivo ou uma intenção a longo prazo. O TTP não foge à regra – o grupo tem conduzido um combate feroz contra o governo paquistanês com o objetivo de afastar as autoridades e impor a lei da Sharia, ou a lei islâmica, na sua versão mais radical.

Ou seja, como diz a CNN, estes talibãs rejeitam qualquer processo democrático. O sistema de alianças do país, em concreto com os Estados Unidos, são também um dos motivos alegados pelo TTP, que recusam igualmente a presença militar americana.

Mas o grupo pode estar a ser afetado pelas diferenças ideológicas e rivalidades internas. As divisões terão começado em 2009 quando o seu líder, Baitullah Meshud, foi morto numa operação da CIA. Este foi substituído por  Hakimullah Mehsud que foi também abatido em 2013 por um drone. E isto abriu uma guerra aberta pela liderança.

Depois da morte do segundo líder em tão pouco tempo, um conselho tribal escolheu Mullah Fazlullah para substituir Mehsud com o objetivo principal de conter a fricção interna, explica a CNN. Os fiéis de Mehsud anunciaram, em junho de 2014, que se iriam separar da organização central depois de várias tentativas de levar o TTP a evitar aquilo que chamavam práticas “não-islâmicas”, tais como ataques em locais públicos ou sequestros. Forma-se assim outro grupo separado do TTP.

As diferentes comunicações desta quarta-feira relativas ao ataque à universidade, com uns a reivindicar e outros a desmentir, pode ter origem nesta separação. No entanto, e mesmo com estas divisões que poderiam originar um enfraquecimento, os ataques reclamados pelo TTP não pararam.