Não é um assunto político, é um assunto técnico. Foi assim que António Costa reagiu às dúvidas da Comissão Europeia face ao Orçamento do Estado para 2016. “Não há razão para estarmos particularmente apoquentados. A opção do Governo é conhecida e clara: virar a página da austeridade, cumprindo as normas europeias”, disse o primeiro-ministro português. “Não há nenhum problema sério”, desvalorizou.

“O comissário Moscovici ligou-me e assegurou-me que nada se passa a nível político”, revelou. Pierre Moscovici é o comissário responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira. E adicionou: “A única coisa que conhecemos é a carta enviada pela comissão, que solicita uma avaliação técnica. (…) Ontem o porta-voz da comissão foi claro: nesta fase, o que está em causa é o apuramento técnico dos dados. Só depois da confirmação técnica é que podemos fazer a apreciação e fazer algo”, explicou o primeiro-ministro, que falou em “diálogo construtivo”. Diálogo feito ao telefone como Moscovici e depois confirmado em novo telefonema para Lisboa para Mário Centeno, que, conta Costa, lhe disse estar a trabalhar com os técnicos da Comissão.

António Costa falou esta quinta-feira à margem de um almoço com o seu homólogo da Holanda, Mark Rutte, no âmbito da presidência daquele país no Conselho da União Europeia.

Nesse mesmo encontro, diz Costa, foi discutido o tema dos refugiados. “Há disponibilidade para colaborar na distribuição dos refugiados. Portugal disponibilizou-se a receber mais de quatro mil, mas só recebemos 26. O primeiro-ministro holandês diz que receberam 50. É necessário agilizar e encontrar uma resposta para este problema.”