É difícil responder de forma assertiva quando se questiona qual é o lugar mais soalheiro da Terra. Depende dos critérios. A lista inclui certamente a ilha Ellesmere, no Canadá, onde Eureka e Alert (dois locais da ilha) recebem os raios solares durante mais de 65% do dia, o que corresponde a quase 15 horas diárias. O problema é que nem todos os relatórios consideram este território como um “lugar”, embora receba frequentemente a visita de cientistas e militares. E então a complicação começa.

A ilha de Ellesmere está muito próxima ao Círculo Polar Ártico, numa latitude chamada “a terra do sol da meia-noite” porque durante os seis meses quentes (primavera e verão) o Sol nunca desaparece no horizonte. Como o céu do Ártico só muito raramente é atravessado por nuvens pode dizer-se que este é o território mais soalheiro da Terra, com o mês de maio a usufruir de 24 horas de sol por dia.

Mas isto só é verdade durante seis meses do ano. Em dezembro o Ártico regressa à “noite polar” e fica mergulhada na escuridão durante pelo menos quatro meses. Não se vê um único raio de Sol durante essa época. E é também por isto que Ellesmere levanta tantas interrogações sobre se deve ou não ser classificada como “o lugar mais soalheiro do mundo”.

Mas que outras opções existem? Mais a sul (bem mais a sul, na verdade) pode encontrar o Arizona, estado norte-americano onde o sol brilha em 90% das horas que compõem o dia. E não é apenas de sol que se faz o Arizona: é também de calor, algo que não se pode garantir (nem seria positivo que acontecesse) no Ártico. É que “o sudoeste dos Estados Unidos está debaixo de influência de alta pressão durante a maior parte do ano, o que se traduz numa atmosfera abafada e quente sobre a região”, explica à BBC o climatologista Michael Crimmins.

Dentro do Arizona, a cidade de Yuma será a mais soalheira. As células de Hadley – um fenómeno de circulação de ar – transportam ar quente para a região, tornando a cidade quente e seca. Isto é o que acontece ao longo das latitudes 30ºN e 30ºS e é por isso que estas zonas costumam ser desérticas, explica Crimmins.

No entanto, estes dados não são suficientes para dar a medalha ao Arizona: a maior parte dos registos das empresas de meteorologia têm material instalado junto às cidades, por isso grande parte do planeta fica fora do estudo dos cientistas.

Esse pode ser o caso do Vale da Morte, por exemplo. Mas não só: o que é feito dos oceanos e dos lagos? Em 2007, a NASA decidiu dar resposta a esta interrogação através de estudo com recurso a satélites que recolheram dados entre 1983 e 2005. E descobriu que, no mar, é o Oceano Pacífico que leva a melhor: o lugar mais soalheiro estará entre o Hawai e o Kiribati, que recebe 6.78 kilowatts à hora por metro quadrado . Em terra, o lugar mais soalheiro será uma parte do deserto do Saara, junto às ruínas de Agadem, com 6.92 kilowatts à hora por metro quadrado.

Portanto, muitas dúvidas persistem sobre qual será o lugar mais soalheiro do mundo. Os cientistas, no entanto, vão continuar a encontrar uma resposta: seria muito útil para a instalação de painéis solares produtores de energia elétrica através da energia solar.