Isto começa bem“, resumia Pedro Sánchez esta quarta-feira, à saída da última das quatro reuniões que teve com quatro pequenas forças políticas espanholas: a Coligação Canária (um deputado), a Nova Canaria (um deputado), a Esquerda Unida (dois deputados) e a Compromís (quatro deputados). Os quatro partidos fazem parte do grupo parlamentar “Grupo Misto”, que tem, no total, 14 deputados.

“As forças políticas agradecem que a situação política se tenha desbloqueado e todos concordam que se abriu uma enorme oportunidade para criar em Espanha um governo progressista e reformista”, disse ainda o líder do PSOE, encarregue pelo Rei de formar governo.

As respostas dos quatro partidos com quem conversou (que somam, no total, oito deputados) foram positivas, mas o equilíbrio de forças é complicado: há quem não queira ver o Podemos no governo e quem não aceite um acordo com o Ciudadanos. O mais fácil poderá mesmo ser um governo minoritário do PSOE, a julgar pelas primeiras reações das negociações. Mas não será fácil convencer Pablo Iglesias (que já disse “não acreditar” num governo minoritário à portuguesa) a apoiar do lado de fora.

Podemos mais isolado?

Já com o Podemos, a satisfação de Pedro Sánchez não é a mesma. O líder socialista voltou a atirar mais uma farpa a Pablo Iglesias, depois de este se ter juntado ao PP na exigência de que as negociações sejam breves, e que Sánchez se apresente a votação no parlamento daqui a duas semanas (e não daqui a um mês, como o socialista havia previsto):

“Partilho a preocupação do senhor [Pablo] Iglesias, para que haja quanto antes um governo que resolva os problemas do país. [Mas] as coisas têm de se fazer passo a passo. Que não se ponham prazos a quem desbloqueou a situação [ele mesmo]”, atirou o líder do PSOE.

A maior pressão ao Podemos não veio, contudo, do PSOE: ao contrário do que seria de esperar, foi a Esquerda Unida (partido que Pablo Iglesias tem exigido ver num futuro governo) a deixar uma indireta ao Podemos: “Quem colocar obstáculos [à formação de um governo liderado por Sánchez] estará a errar e devia pagar por isso” e “perderá a credibilidade perante a opinião pública”, avisou o coordenador geral da Esquerda Unida, Cayo Lara, que defendeu ainda que o país tem uma “necessidade vital” de ter um governo.

Quem foi mais longe foi a principal responsável da equipa negocial “Coligação Canária” (CC), Ana Oramas. Apesar de ter apenas um deputado no parlamento, a responsável da CC afirmou estar disponível para apoiar um governo minoritário do PSOE, mas não se este se apresentar coligado com o Podemos. O Nueva Canarias, por sua vez, limitou-se a apoiar os esforços de Sánchez: “Há condições para haver um governo alternativo ao PP, e defendemo-lo com contundência nestes quatro anos. Acreditamos que a alternativa pode hoje ser representada por Pedro Sánchez”, afirmou o único deputado que o partido elegeu, Pedro Quevedo.

Os quatro deputados da Compromís votam a favor… se Sánchez esquecer Rivera

Também a Compromís (coligação valenciana que se separou do Podemos por não lhe ter sido permitido formar um grupo autónomo) pediu a Sánchez um governo “plural, que vá ao encontro dos votos das pessoas” — uma solução que a formação política afirma preferir à de um governo minoritário do PSOE. Quem esse governo não pode incluir é o Ciudadanos, avisaram.

Já esta quinta-feira, o líder do PSOE vai reunir-se com os dois grandes partidos cujo apoio Sánchez quer obter: o Podemos e o Ciudadanos. Já com os partidos independentistas (Esquerda Republicana da Catalunha, Democracia e Liberdade e Bildu) e com o PP Sánchez não vai negociar, embora se vá reunir com eles, relata o El País.

Texto editado por Pedro Esteves