Dança

Festival Cumplicidades regressa a Lisboa em março

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A nova edição do festival de dança contemporânea pretende dar continuação ao trabalho iniciado em 2015, com propostas experimentais e singulares. Os bilhetes estão disponíveis para a próxima semana.

O festival irá arrancar com a peça “O Céu é apenas um disfarce azul do Inferno”

Silvana Torrinha/Cumplicidades - Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa

O Cumplicidades está de volta. O Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa vai regressar em março depois da realização de uma edição zero, no ano passado. Com uma programação a cargo de Ezequiel Santos, crítico de dança e professor na área da psicologia, a edição deste ano pretende retomar e ampliar a de 2015 com propostas experimentais e singulares de vários países. Os bilhetes estarão disponíveis a partir da próxima semana.

O festival, que irá decorrer entre os dias 4 e 19 de março, irá arrancar com “O Céu é apenas um disfarce azul do Inferno”, um espetáculo co-produzido pelo Cumplicidades em conjunto com os coreógrafos e dançarinos Joana Von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão. Com um título retirado de um poema de Teixeira de Pascoaes, “O Céu é apenas um disfarce azul do Inferno” centra-se nas diferentes visões, representações e heresias que o Céu e o Inferno assumem na cultura portuguesa.

Outra co-produção do Cumplicidades é “Os Mal Sentidos”, um espetáculo de Andresa Soares, Matthieu Ehrlacher e Gonçalo Alegria. A peça será apresentada nos dias 9, 10 e 11 de março no Negócio ZDB, na Rua de O Século, no Príncipe Real.

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“Os Mal Sentidos” é uma co-produção do Festival Cumplicidades (Joana Linda/Cumplicidades – Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa)

Nos dias 11 e 12 de março, a egípcia Karima Mansour, diretora do Centro de Dança Contemporânea do Cairo, irá subir ao palco do Alkantara para apresentar “Who said anything about dance?”. Inspirada em vários episódios da vida de Mansour, “Who said anything about dance?” procura dissecar e questionar o papel do artista e da própria arte.

Da Turquia virá “You’re not a fish after all”, dos coreógrafos Mihran Tomasyan e Çıplak Ayaklar Kumpanyası. A peça conta a história de “todos aqueles que fazem da viagem na água a sua própria jornada”, como refere a organização do festival, e é dedicada a todas as vítimas da opressão, nomeadamente a Hrant Dink, jornalista arménio que foi morto em janeiro de 2007 em Istambul, na Turquia, por um jovem nacionalista de 17 anos.

A fechar o Festival Internacional de Dança Contemporânea, estará “Contessa”, um espetáculo de Meryem Jazouli. O solo, interpretado pela própria corógrafa, foi escrito em conjunto com a também marroquina Fatima Mazmouz e tem como tema central a figura feminina das lendas e tradições de Marrocos, da prostituta à feiticeira. “Contessa” também será apresentado no número seis da Rua das Gaivotas, nos dias 18 e 19 de março.

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“You’re not a fish after all” é dedicado ao jornalista arménio Hrant Dink (Mirhan Tomasyan/Cumplicidades – Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa)

Para além dos espetáculos de dança, o Cumplicidades irá ainda receber duas conferências internacionais, que irão decorrer nos dias 4 e 17 de março no Teatro Municipal S. Luiz. A primeira, “Cumplicidade na Dança”, irá ter como oradora convidada Gesa Ziemer, investigadora e professora da universidade alemã de Hafen. A segunda, “Latitudes em Movimento”, irá contar com a presença de Abraham Hurtado, director artístico do coletivo AADK, de Espanha, Karima Mansour, e Krystel Khoury, antropóloga libanesa, entre outros.

Entre 4 e 19 de março, haverá ainda vários workshops, palestras e três instalações artísticas, com destaque para “How we built a smoke machine”, de Maurícia Neves.

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