Mundo

Putin é perigo maior para a Europa do que Estado islâmico, diz George Soros

593

George Soros, conhecido investidor e filantropo, diz que o Presidente russo está a tentar provocar o colapso da União Europeia, para se vingar das sanções económicas e para salvar a sua própria pele.

YURI KOCHETKOV/EPA

Os líderes europeus e norte-americanos estão a cometer “um erro grave” se pensarem que Vladimir Putin e a Rússia podem ser aliados na luta contra o Estado Islâmico, escreve o conhecido investidor e filantropo George Soros. Num artigo para o Project Syndicate, Soros diz que Putin está a ver na crise dos refugiados e na luta contra o Estado Islâmico uma oportunidade para “instigar a desintegração” da União Europeia e contribuir para que a Europa seja “inundada de refugiados sírios“. Dessa forma, acreditará o presidente russo, talvez Putin consiga salvar a sua própria pele.

Para Soros, a União Europeia e Vladimir Putin “estão, ambos, envolvidos numa corrida contra o tempo: a questão é saber qual é que vai colapsar primeiro”. Soros diz que não tem evidências de que Putin tenha instigado a crise na Síria mas, assim que o Presidente russo se apercebeu de que poderia haver ali uma “oportunidade, aproveitou-a“. 

NEW YORK, NY - NOVEMBER 06: Honoree George Soros speaks onstage at the Annual Freedom Award Benefit hosted by the International Rescue Committee at the Waldorf-Astoria hotel on November 6, 2013 in New York City. (Photo by Mike Coppola/Getty Images for International Rescue Committee)

George Soros diz que é um “erro grave” confiar na palavra de Vladimir Putin. (Foto: Mike Coppola/Getty Images for International Rescue Committee)

Aviões russos, recorda Soros, têm bombardeado as populações do sul da Síria, obrigando as pessoas a fugirem para a Jordânia e para o Líbano. E têm, também, atacado o norte do país, levando a um êxodo de dezenas de milhares para a Turquia e para a Grécia. Enquanto isto, “Putin tem camuflado as suas ações com juras de cooperação contra um inimigo comum, o Estado Islâmico”. Mas os líderes europeus e norte-americanos devem ter cuidado, porque Soros diz que “Putin está a fazer o mesmo na Ucrânia, assinando o acordo de Minsk mas não cumprindo os termos do acordo”.

É difícil compreender porque é que os líderes dos EUA e da União Europeia acreditam na palavra de Putin, em vez de o julgar pelo seu comportamento. A única explicação que encontro é que os políticos democratas querem reconfortar os cidadãos pintando um cenário mais favorável do que a realidade.

“Os ataques promovidos por terroristas jihadis, por muito aterradores que sejam, não se comparam com a ameaça que vem da Rússia”, afirma Soros, um país que está em crise económica grave. Putin terá eleições parlamentares no outono e continua com índices de popularidade elevados. Mas Soros lembra que essa popularidade pode inverter-se muito rapidamente se as condições de vida na Rússia piorarem de forma abrupta.

Do outro lado está uma União Europeia que “está confrontada com cinco ou seis crises ao mesmo tempo, o que poderá acabar por revelar-se demasiado”, escreve George Soros. “Como Merkel corretamente anteviu, a crise dos refugiados tem o potencial para destruir a União Europeia” e é preciso reconhecer a “ameaça difícil que vem da Rússia de Putin”. “Não reconhecer [essa ameaça] tornará a tarefa [de evitar o colapso] ainda mais difícil”, conclui o magnata.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt
Religião

O Dia Mundial da Religião

Donizete Rodrigues
180

O Dia Mundial da Religião é um momento ecuménico para promover a convivência, o interconhecimento e o diálogo inter-religioso, buscando um futuro livre de preconceito, discriminação e intolerância.

Mundo

Os novos bárbaros - uma cultura de destruição 

Paulo Rodrigues Ferreira

Que desejam estes novos bárbaros? Espalhar rancor, ressentimento, divulgar mentiras. Que todos sofram o mesmo que eles sofrem. Combater a globalização ou o cosmopolitismo, a que chamam "globalismo".

Índia

Populismos e finais felizes /premium

Diana Soller

Numa época em que os populismos têm uma presença cada vez mais forte nas democracias ocidentais, vale a pena revisitar o passado e outras geografias. Queremos o mesmo para nós?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)