Depois de três vitórias consecutivas na caminhada rumo à nomeação republicana para as presidenciais dos Estados Unidos, Donald Trump tornou-se no alvo a abater pelos seus mais diretos adversários – no caso, Ted Cruz e Marco Rubio.

Esta terça-feira, a cinco dias da chamada “Super Tuesday”, a “super terça-feira” em que 12 estados americanos vão a votos nas primárias republicanas, realizou-se mais um debate entre os candidatos, naquela que podia ser a última oportunidade de Cruz e Rubio para evitarem uma rápida nomeação de Donald Trump.

Desta maneira, o ataque mais feroz ao empresário do imobiliário surgiu de Marco Rubio. Utilizando uma notícia desta terça-feira do New York Times, que dava conta que Trump tinha contratado 500 trabalhadores temporários estrangeiros para a construção de um empreendimento na Florida, o senador deste estado americano acusou-o de deixar os americanos de parte no que toca à criação de emprego apesar das suas constantes declarações contra a imigração.

Mais do que isso, Rubio citou ainda outras notícias, lembrando por exemplo um processo dos anos 80, quando se soube que vários imigrantes ilegais polacos tinham trabalhado nas diferentes propriedades de Trump: “Você é a única pessoa neste palco que foi multado por contratar pessoas por trabalhar nos seus projetos ilegalmente. Você contratou alguns trabalhadores da Polónia”.

Trump naturalmente não se deixou ficar e defendeu-se atacando: “Eu sou o único neste palco que contratou pessoas. Você não contratou ninguém”.

Perante a resposta do multimilionário, o senador atirou com ironia:

Se ele [Trump] construir o muro [na fronteira com o México] da mesma maneira que construiu as Trump Towers, vai utilizar trabalho imigrante ilegal”.

“Eu contratei dezenas de milhares de pessoas”, explicou Donald Trump, “e ele traz uma história com 30 anos. Correu tudo muito bem. Toda a gente estava feliz”.

Aproveitando os avanços de Rubio, foi a vez de Ted Cruz entrar no debate que se realizou na Universidade de Houston (Texas), ao acusar Trump de financiar congressistas democratas e de ter apoiado a reforma migratória que fracassou em 2013 – com isto tentava matar dois coelhos numa cajadada, sublinhando duas contradições: uma relativa à imigração e a outra ao posicionamento político do candidato.

Depois, ambos os senadores, filhos de imigrantes cubanos, uniram-se nos elogios à “diversidade” do partido, acusando os democratas de não o serem: “Somos um partido da diversidade, algo que os democratas não são. O sentimento mais poderoso da comunidade hispânica é o desejo de que os seus filhos tenham mais sucesso do que os pais. Isto é o que defendemos. Não o socialismo, como Bernie Sanders e cada vez mais Hillary Clinton”, afirmou Marco Rubio.

Mais discretos, tal como têm estado nos resultados eleitorais, estiveram o neurocirurgião Ben Carson e o governador do Ohio, John Kasich.

O jogo segue no próximo dia 01 de março, com o “Super Tuesday” onde muita coisa pode ficar desde já decidida, ou muito bem encaminhada.