Querem unir a indústria da música – de bandas a festivais, de produtoras a startups – para captar a atenção dos principais nomes do setor, a nível internacional. Querem perguntar-lhes porque não escolhem Portugal para gravar um disco, desenvolver um projeto empresarial ou convidá-los a conhecer o “pico de criatividade que se vive o país”. São várias instituições que dão as mãos com um objetivo comum: exportar aquilo que de “melhor se faz” na indústria da música portuguesa e atrair mais investimento para o setor.

Chama-se Why Portugal e é uma plataforma, um “aglutinador das várias valências da música e cultura portuguesas” para promover o país no estrangeiro. E a primeira ação de promoção acontece já de 13 a 16 de março, no festival norte-americano South by Southwest (SXSW), o conjunto de festivais e conferências de música, cinema e tecnologia emergentes que nasceu há 30 anos em Austin, nos Estados Unidos da América.

É, sobretudo, uma estratégia, explicou ao Observador Hugo Ferreira, um dos rostos por detrás do projeto. Fundador da editora leiriense Omnichord Records, que representa projetos como First Breath After Coma, Les Crazy Coconuts ou Nice Weather For Ducks, é ele um dos que vai erguer o primeiro stand promocional de Portugal do SXSW. Em Austin, vai dar o primeiro passo para fazer aquilo que motivou entidades como a Associação de Músicos Artistas e Editoras Independentes (AMAEI), Associação Portuguesa Festivais Música (Aporfest), a Music Managers Forum Portugal (MMF Portugal) ou a Antena 3 a partilharem esforços: unir a indústria da música.

Cá dentro, já chega que toda a gente compita com toda a gente. Lá fora, temos de ter uma estratégia em que estejamos unidos”, diz Hugo.

O stand vai estar no Trade Show do SXSW, de 13 a 16 de março, e os representantes vão participar na conferência SXSW Music até 20 de março. Os portugueses Holy Nothing, agenciados pela Turbina, são a única banda portuguesa com um showcase no SXSW, mas a presença lusa não se esgota aqui. Marcam também presença no festival as startups portuguesas Tradiio, Satta, Musikki e Loqr.

O objetivo da Why Portugal é o de chegar à edição de 2017 do festival holandês Eurosonic em 2017, com um country focus para Portugal, onde “toda a gente” possa saber que há uma estratégia consolidada para promover e exportar a indústria da música portuguesa. Até lá, vão marcar presença em festivais por toda a Europa.

“Queremos gerar mais turismo para os festivais, porque Portugal já está num patamar muito bom e é possível fazermos mais. Queremos atrair empresas que atuem na área da música para que desenvolvam projetos em Portugal, que passem a trabalhar com empresas portuguesas em vez de outras. Porque não gravarem cá?”, diz Hugo.

A plataforma é lançada em abril, mas já conta com dezenas de inscrições de empresas e projetos que se querem associar, segundo Hugo. A ideia é que funcione como uma espécie de montra da indústria da música portuguesa, gratuitamente. Os projetos terão de respeitar algumas condicionantes, porque o objetivo é agrupar o que de “melhor se faz”. Sem apoios públicos, a plataforma está a arrancar com capitais próprios dos fundadores.

“Estamos a fazer aquilo que achamos que é preciso fazer cá. Temos um pico de criatividade tão grande que se não fizermos nada, este índice de criatividade pode baixar. É importante aglutinar todo o mercado e levá-lo lá para fora da melhor maneira possível. Dizer-lhes: contactem-nos, trabalhem connosco e venham para cá trabalhar”, conclui Hugo Ferreira.