Já se provou que a roupa tem a capacidade de influenciar a confiança de quem a veste, que um blazer e uma gravata são sinais de poder, que os uniformes transpiram responsabilidade e que vestir a cor vermelha é sexy. Mas até que ponto poderá a roupa influenciar na concentração de uma pessoa?

Todos sabemos quão desgastante é vestir uma peça desconfortável. De repente, a atenção está inteiramente voltada para os sapatos que estão a esmagar os dedos dos pés, para a alça que está sempre a cair, para a comichão que as lantejoulas do vestido de festa fazem, para a saia que não para de subir, para as calças que apertam demasiado as pernas ou para o colarinho da camisa que parece estar a estrangular o pescoço. E enquanto este tormento decorre, tenta-se manter um sorriso na cara e fingir que está tudo bem, mas só se pensa é em chegar a casa e despir a roupa para acabar com a tortura.

Agora imagine que a todo este sofrimento se soma um exame na escola ou uma reunião importante onde tem de estar concentrado ao máximo. Parece impossível? É porque é. Segundo um estudo publicado no Social Psychological and Personality Science, aquilo que as pessoas vestem traduz-se nas notas que conseguem ter.

Para estabelecer um ranking do quão bem ou mal vestidos estavam os 60 estudantes universitários que participaram no estudo, os investigadores compararam-nos às pessoas comuns. Cada um teve de responder a dez perguntas de teor não académico, as quais tinham duas respostas: uma abstrata e outra concreta.

Os investigadores concluíram que os estudantes que estavam de fato escolheram as respostas abstratas – estudos anteriores já tinham mostrado que quem se veste mais formalmente pensa de forma mais abstrata –, já os estudantes que foram de fato de treino ou de t-shirt optaram por respostas concretas.

Segundo a New York Magazine, o uso de roupa formal pode traduzir-se em melhores resultados em cursos que exijam pensamento criativo, tais como filosofia, literatura ou artes, enquanto o uso de roupa casual é o mais indicado para cursos relacionados com matemáticas, ciências e engenharias.

No meio disto tudo, onde entra a concentração? Simples: se uma pessoa tiver de calcular fórmulas intermináveis em que toda a concentração é pouca, não pode perder tempo nem desconcentrar-se com uma etiqueta que está a fazer comichão nas costas ou com uma roupa nova que afinal fica demasiado apertada. A roupa funciona como uma distração externa que tem o poder de fazer com que não se pense em mais nada.

De salientar que este estudo mostra apenas uma correlação entre o vestuário e as notas. Se um aluno não estudar para um exame, bem pode ir até de pijama que não se adivinha grande resultado. No entanto, pelo sim pelo não, mais vale ir confortável e aproveitar que a roupa desportiva está na moda.