Tortura

CIA fotografou prisioneiros nus antes de os extraditar

A agência americana despe os seus prisioneiros e fotografa-os, como forma de tortura e humilhação, avança o jornal The Guardian. Esta prática é contra as leis internacionais de conduta de guerra.

Alex Wong

A CIA fotografou prisioneiros nus, antes de os extraditar para serem torturados, revela o The Guardian. Em algumas das fotografias, que continuam classificadas, os prisioneiros da CIA estão vendados, atados e exibem escoriações e hematomas. Ainda não se sabe quantas pessoas terão sido fotografadas, mas sabe-se que grande parte dos detidos são homens e que muitos deles foram capturados depois do 11 de setembro e estão no programa de “Extraordinary Rendition” dos EUA. Este programa possibilita a extradição de prisioneiros dos Estados Unidos para outros países, alguns dos quais praticam formas de tortura proibidas nos EUA.

O jornal inglês The Guardian optou por não divulgar as fotografias para “preservar a identidade e a segurança e dignidade” dos prisioneiros. Grupos que defendem os direitos humanos identificaram pelo menos 50 pessoas que já foram extraditadas para países que praticam tortura.

O diretor da Médicos pelos Direitos Humanos, Vincent Iacopino, afirmou que tirar fotografias a prisioneiros nus é uma forma de humilhação sexual, dizendo ainda que é “Cruel, desumano e degradante”, classificando a prática como uma forma de tortura.

“Fotografar ou filmar os detidos sob a custódia dos EUA sem ser para registar os prisioneiros ou gerir as instituições, representa uma violação das leis de guerra, incluindo as definidas pela convenção de Genebra”, informou Nathaniel Raymond, investigador de Harvard, especialista em abusos de detidos. Raymond acrescenta ainda que caso alguma instituição americana tenha tirado intencionalmente “fotografias de detidos nus, deve ser investigada pelas forças da lei como uma potencial violação da lei doméstica e internacional.”

Esta prática de tirar fotografias é uma revelação nova, embora já fosse do conhecimento público que a CIA despia os seus prisioneiros durante os interrogatórios. A informação foi apresentada num documento emitido pelo Senado americano em 2014. Por vezes a nudez é associada a outras torturas, como estar agrilhoado ou em salas com temperaturas muito reduzidas. Estas práticas já levaram à morte de pelo menos um detido.

Segundo o relatório do Senado, agentes da CIA inserem comida triturada no ânus de um detido, sob o pretexto de ser uma prática “medicamente necessária chamada ‘reidratação retal'”. Mustafa Hawsawi, preso em Guantánamo, foi alvo desta prática que lhe causou um prolapso retal e outros problemas médicos.

Quando questionados sobre a prática, oficiais do Departamento da Justiça durante a presidência de George W. Bush afirmaram que o ato de despir os presos representa uma forma de humilhação dos prisioneiros, mas que não implicou qualquer tipo de violência sexual. Um dos oficiais afirmou mesmo que a técnica era usada para “causar desconforto psicológico”. Já durante a administração de Barack Obama, um oficial terá declarado que a prática de despir um prisioneiro era bastante distinta de qualquer ato de humilhação sexual.

Em 2015 foi revelado que a CIA guardava mais de 14 mil fotografias dos seus detidos. Um oficial do Exército americano que viu as fotografias descreveu-as como sendo “bastante horripilantes”.

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