O Executivo liderado por Mariano Rajoy recusa ser escrutinado pelo novo Congresso, pois não foram esses os deputados eleitos em 2011. Essa decisão levou o Congresso dos Deputados a aprovar uma medida pouco usual que obrigará o Governo a prestar contas ao Tribunal Constitucional, conta o El País. Para tal, foi necessária a aprovação de dois terços do Parlamento. Ou seja, aprovaram todos os partidos menos o Partido Popular, o de Rajoy.

Tudo terá começado a 17 de março, altura em que o ministro da Defesa faltou a uma comissão para justificar ou explicar a sua atividade, contava então o El País. “Nunca antes um membro do Governo havia faltado à chamada do Parlamento para comparecer para dar conta da sua atividade”, escreveu o diário espanhol.

Apesar da aprovação desta quarta-feira, o plano poderá nem ser levado avante, pois há prazos e datas difíceis de cumprir. Trata-se, no fundo, como diz o El País, de um ato simbólico. É que este assunto seria resolvido nunca antes de dia 3 de maio, altura em que terá de haver acordo para a investidura. Ou isso, ou há novas eleições. Se chegar a tempo ao TC, os promotores da medida querem, pelo menos, formular uma regra para o futuro.

O futuro da política espanhola parece depender de um acordo entre PSOE, Ciudadanos e Podemos. Os três partidos vão reunir amanhã, quinta-feira. No início de março, os dois primeiros já haviam acordado e estavam na mesma página para a investidura, embora se tenha sabido agora que o Ciudadanos terá exigido alguns ministérios. Há muita expectativa quanto à posição do Podemos, que tem estado mais afastado das negociações. O partido de Pablo Iglesias tem vivido também uma espécie de crise interna, com o afastamento do número três do partido, Sergio Pascual, o braço direito de Íñigo Errejón.

O relógio faz tic-tac, pois terá de haver acordo até 3 de maio, altura em que se agendará novas eleições — a repetição do ato eleitoral deverá acontecer dia 26 de junho.