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Marcelo tem um sonho e uma garantia: a esquerda também é pró-europeia e vai cumprir metas

Este artigo tem mais de 5 anos

A Europa com que Marcelo "sonha" inclui Kafka e Pessoa. PR garantiu que compromisso com a Europa se mantém, apesar da mudança de governo. Até Marisa Matias aplaudiu de pé.

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LUSA

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The Europe that I dream of keeps in its memory what Portugal, in the strength of its simplicity, brought to and from other continents, cultures and civilizations and that enriches us so much.

The Portugal that I have brought with me today crossed seas and far away lands, but never forgot that it belongs to the lands of Homer, Shakespeare, Goethe, Proust, Cervantes, Dante, Joyce, Strindberg, Kundera, Kafka, Szymborska and Pessoa.

We are Europeans.

We will always be Europeans.”

Foi assim mesmo, em inglês e em nome próprio, que o Presidente da República terminou o seu discurso solene no Parlamento Europeu, apenas a quinta intervenção alguma vez feita por um chefe de Estado português no hemiciclo de Estrasburgo. Em português, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se aos eurodeputados para lembrar que um dia teve um sonho. E que esse sonho europeu ainda hoje permanece vivo não só dentro de si, como dentro de Portugal. Independentemente de à frente do Governo português estarem forças políticas de esquerda ou de direita – porque a esquerda também quer “continuar a garantir os equilíbrios financeiros, o controlo do défice e da dívida pública”.

Foi um Marcelo nostálgico e na primeira pessoa – com recordações, “saudade”, “orgulho” e muitos “sonhos” sobre o “seu [meu] país” – que apareceu no hemiciclo do Parlamento Europeu. Ao estilo “I had a dream” de Martin Luther King, o Presidente da República recorreu à sua história política individual para recordar o caminho de Portugal no processo de construção europeia. Lembrou os seus tempos de deputado constituinte, o pedido de adesão à UE, em 1977, perante o qual “vibrou”, lembrou as “longas negociações” que se seguiram em 1985 e o processo de adesão à moeda única que o levou, enquanto líder da oposição, a “viabilizar três orçamentos de Estado a um governo minoritário” de António Guterres.

“As convicções antigas e fortes nunca mudam. Continuo convicto do papel insubstituível da União Europeia, na Europa e no mundo. E, desde que há democracia, Portugal continua fiel a esta constante da sua estratégia nacional, com todos os seus Presidentes e com todos os seus Governos“, disse a partir da tribuna do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, numa tentativa de desmistificar junto das instituições europeias a ideia de que o facto de o novo Governo do PS ser apoiado por partidos de esquerda, tradicionalmente fora do arco da governação, vai inverter o rumo de Portugal no compromisso europeu.

Passos bem, Costa também. Ou como as esquerdas também podem ser europeístas

Foi uma mensagem de tranquilização perante a desconfiança da Europa face à mudança de Governo em Portugal, e à inclusão de partidos como o Bloco de Esquerda e o PCP no apoio parlamentar. “Portugal quer continuar a garantir os equilíbrios financeiros, o controlo do défice e da dívida pública”, garantiu no hemiciclo. Ideia que Marcelo viria depois a reforçar, numa pequena conferência de imprensa com o presidente do Parlamento Europeu: “Portugal é esmagadoramente pró-Europa, o Presidente da República é pró-Europa, o primeiro-ministro é pró-Europa e o Presidente da Assembleia da República é pró-Europa”. Mensagem recebida. “Estamos ao vosso lado”, disse Martin Schulz, em português.

A questão é que Marcelo não é da mesma família política do atual Governo português (tem “raízes que vêm de área doutrinária diversa daquelas em que se insere a atual maioria parlamentar), e isso fez questão de lembrar aos eurodeputados. Mas não é por isso, disse, que deseja menos “sucesso” ao projeto político que atualmente está a ser posto em marcha em Portugal e que deixa de apelar à “estabilidade, à recusa de crises políticas a somar às questões económicas e sociais, à procura de convergências alargadas e ao reforço do sistema financeiro”.

Concordando ou não com a escolha do caminho a seguir pelo novo Governo, uma coisa é certa: Marcelo tem o “desejo sincero de que tenha pleno sucesso o caminho exigente de compatibilização entre rigor financeiro e preocupações sociais, assentes em crescimento pelo dinamismo do mercado interno”. Ou seja, que o modelo económico que está a ser seguido pelo PS dê resultados. Porque, reforçou, o PS é “respeitador dos compromissos internacionalmente assumidos” e “pertence a uma das duas principais famílias políticas europeias”. No fundo, é como quem diz ‘se eu acredito, acreditem também’.

É um caminho diverso, em parte, do anterior, mas conduzido por um Governo também europeísta, respeitador dos compromissos internacionalmente assumidos, apoiado no Parlamento não só por uma das duas principais famílias políticas europeias, mas também por partidos de outra relevante família europeia, que, até agora, tinham estado fora da área do poder executivo constitucional em Portugal.”

Já na terça-feira à noite, à chegada a Estrasburgo, Marcelo tinha sublinhado a existência de dois modelos económicos diferentes e duas visões diferentes para o país, lembrando que apesar das diferenças e da diversidade é possível – e desejável – haver consensos. Sobretudo no sistema financeiro.

Mas antes dos elogios aos Governo de António Costa e às esquerdas, e para não ser acusado de dar mais o braço ao novo primeiro-ministro do que ao antigo, que, esse sim, é do seu partido, Marcelo tinha dado a mão a Passos Coelho, elogiando a “saída limpa” do programa de assistência da troika. “A Europa não faltou no auxílio a Portugal e Portugal honrou os seus compromissos, saindo de forma limpa do Programa de Ajustamento”, disse.

Certo é que esse período já lá vai e, “hoje”, Marcelo garante que “Portugal quer continuar a garantir os equilíbrios financeiros, procurando, ao mesmo tempo, começar a compensar setores sociais mais sacrificados no passado recente e acreditando que, além do investimento privado e das exportações, também o consumo das famílias pode criar crescimento e emprego”, voltou a dizer, enfatizando que o novo modelo económico escolhido por Costa, assente no consumo interno, também pode chegar a bom porto.

Assumindo-se como um “europeísta incorrigível”, Marcelo descreveu aquilo que é “a Europa com que sonha”. Uma Europa que “tem de ser otimista”. “Senão, deixa de ser símbolo de futuro”.

Na despedida, e depois de lembrar Kafka, Milan Kundera, Cervantes, Shakespeare ou Fernando Pessoa, e de ter feito referências em três línguas (francês, alemão e inglês) Marcelo fez lembrar uma das frases mais emblemáticas do cinema: “We will always have Paris”, de Casablanca, que passou a ser “We will always be Europeans”. Faltou a hashtag (#) e, já que estava em França, a tradicional frase Je suis européen. Todos aplaudiram, até a bancada do grupo parlamentar da esquerda onde estão inseridos o BE e o PCP. A bloquista Marisa Matias, de resto, foi mesmo das primeiras a levantar-se para aplaudir.

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