O ministro das Finanças, Mário Centeno, reafirmou nesta sexta-feira que o governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, cometeu uma “falha grave de transmissão de informação” na questão do Banif. “É de facto surpreendente que não tenha sido transmitida na altura devida, no meu entendimento, do Ministério das Finanças e do Governo, aquela informação”, afirmou Mário Centeno em entrevista à RTP, em Washington, transmitida no Telejornal.

O ministro das Finanças reiterou a acusação do Governo de que o BdP cometeu uma “falha de informação grave” na resolução do problema do Banco Internacional do Funchal (Banif), ao ter omitido que pediu ao BCE para limitar o financiamento àquela instituição financeira. “Nesse sentido, é uma falha grave que nós reputamos de falha grave de transmissão de informação”, disse o ministro.

Questionado sobre uma eventual demissão do governador do Banco de Portugal, Mário Centeno salientou que há uma “comissão de inquérito a avaliar a situação”. “Esperarei que a comissão de inquérito identifique todas as situações”, afirmou, insistindo que nunca teve nenhuma atuação no sentido de privilegiar qualquer solução.

O primeiro-ministro, António Costa, também rejeitou hoje alinhar com a exigência de demissão de Carlos Costa, feita pelo Bloco de Esquerda durante o debate quinzenal no parlamento, alegando que recusa antecipar as conclusão da comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif e que deve haver normalidade no relacionamento institucional.

A Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que conduziu à venda e resolução do Banif decidiu hoje voltar a ouvir o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal na terça-feira.

Sobre o “veículo”, defendido pelo primeiro-ministro, para resolver o problema do crédito malparado, Mário Centeno afirmou que “ainda está a ser delineado”. “É uma matéria muito sensível”, disse.

Nas declarações à RTP, Mário Centeno disse também que não podia garantir que não houvesse mais encargos para os contribuintes com a banca. “Nunca ninguém consegue garantir isso. Queria ser muito claro nessa matéria porque não vale a pena estarmos a fingir que estamos a viver num mundo em que não estamos”, afirmou.

Segundo o ministro, o Governo tem é de atuar com a “maior antecipação possível para que os problemas não ganhem a dimensão que outros em outros momentos ganharam”.