O FMI foi “complacente e paternalista” com Moçambique – é assim que o investigador António Francisco, do Instituto de Estudos Sociais e Económicos caracteriza a atuação do Fundo Monetário Internacional no país. O primeiro-ministro Moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, assumiu quarta-feira passada que estavam por declarar mais de mil milhões de dólares de dívida externa.

“Se o Governo moçambicano representa, neste momento, um dos piores casos de ocultação e falseamento de informação que o FMI tem enfrentado em África, espero que este incidente motive o FMI a ser menos complacente e paternalista para com os governantes moçambicanos”, disse o investigador, em declarações à Lusa.

Para António Francisco, o FMI desvalorizou no passado as avaliações e alertas de vários investigadores e economistas sobre Moçambique, tendo preferido fazer apreciações “cor-de-rosa” sobre a robustez da economia.

Agora, o país é alvo de “descrédito e chacota”, defende ainda o economista. “Só um otimismo cego, alguém que se comporte como se soubesse que as coisas nunca acabarão mal por pior que elas estejam, poderá entreter a ideia com a que num quadro desses a economia nacional está no bom caminho”, garante.

O FMI ainda está a avaliar o impacto que o falseamento de informação poderá vir a ter na economia moçambicana. Entre os mercados extracomunitários, Moçambique é um parceiro comercial relevante para Portugal.