A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu este sábado uma melhor coordenação da ajuda humanitária, na perspetiva da primeira Cimeira Humanitária Mundial, que começa na segunda-feira em Istambul, na Turquia.

Na sua habitual mensagem vídeo dos sábados, Merkel afirmou que a cimeira não visa obter compromissos económicos dos países participantes, mas “uma melhor conexão dos diferentes atores” e uma “melhor panorâmica, por exemplo, reunindo as ajudas prometidas numa base de dados”.

A chanceler disse ainda ser necessário “comprovar se o que é prometido em conferências internacionais se concretiza”, frisando que há deficiências neste domínio.

“É necessário um novo enfoque sistemático sobre como conseguir uma melhor perspetiva da implementação da ajuda humanitária a nível global”, disse.

A cimeira, considerou, visa essencialmente obter essa “melhor coordenação e melhor conexão da ajuda humanitária” e “destacar a importância da ajuda humanitária”.

Merkel manifestou ainda a sua satisfação por esta cimeira se realizar na Turquia que, “com o acolhimento de três milhões de refugiados sírios, demonstrou que não se limita a falar de ajuda humanitária, mas concretiza-a”.

A chanceler considerou por outro lado que é necessária uma ajuda humanitária independente e diferenciada da ajuda ao desenvolvimento, porque esta não é possível em países com os quais não há cooperação política.

Na Síria, exemplificou, as pessoas que vivem em território controlado pelas forças do regime de Bashar al-Assad precisam de alimentos e de assistência médica “independentemente das críticas que mereçam as ações do aparelho político”.

Merkel reiterou ainda a sua condenação dos ataques a hospitais e profissionais de saúde, afirmando que na Síria se têm visto “exemplos horríveis” deste tipo de ataques “extremamente tristes, lamentáveis e totalmente inaceitáveis”.

Istambul recebe na segunda e na terça-feira a primeira Cimeira Humanitária Mundial, convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e em que participam mais de 50 líderes mundiais, entre os quais o primeiro-ministro português, António Costa.

Segundo a ONU, há atualmente 125 milhões de pessoas dependentes de ajuda humanitária.