Edgar Feuchtwanger foi vizinho de Hitler em Munique durante nove anos na altura em que a Alemanha se transformou numa ditadura Nazi, conta a CNN. Edgar publicou um livro de memórias, que foi lançado o ano passado no Reino Unido, em que conta como foi viver no mesmo bairro que o ditador.

A primeira vez que se cruzou com o Führer foi em 1932 enquanto passeava com a sua ama. Trocaram olhares e Hitler tê-lo-á fitado com um ar benevolente. Um ano depois, ascendeu ao poder como chanceler da Alemanha.

Na altura, Edgar era apenas uma criança, mas compreendia que estava numa situação delicada. Por ser judeu, não era obrigado a juntar-se à Juventude Hitleriana, mas na escola era-lhes transmitida a ideologia Nazi. As crianças deviam obedecer sempre às ordens dos professores, mesmo que isso implicasse desenhar propaganda Nazi. Edgar percebia que aquilo representava alguma coisa má, mas tinha que obedecer.

Mas o mais impressionante da história é que Edgar é sobrinho de Lion Feuchtwanger, um promissor escritor por quem Hitler nutria um “ódio pessoal”. Edgar garante que se as autoridades tivessem descoberto o parentesco com o escritor, nem ele nem a sua família teriam sobrevivido. Assim,durante nove anos viveram no mesmo bairro que Hitler.

Em novembro de 1938 chegaram as Kristallnacht (Noites de Cristal). Ondas de violência que ocorreram a 9 e 10 de novembro em que vários negócios e propriedades de judeus foram destruídos. A família Feuchtwanger foi também alvo destes episódios e o pai de Edgar foi transportado para Dachau, o primeiro campo de concentração Nazi. Numa altura em que estes apenas serviam para assustar as pessoas e convencê-las a abandonar a Alemanha. O pai de Edgar foi libertado seis semanas depois. A grande coleção de livros da família foi confiscada.

Depois deste episódio a família fugiu para a Inglaterra, onde Edgar, agora com 91 anos, ainda vive. Até hoje questiona-se como é que as autoridades nazis nunca perceberam que pertenciam à família de Lion Feuchtwanger.