Artigo atualizado às 15h27 de 30/06/2016 com o número de vítimas mortais avançadas pela imprensa turca.

O número de mortos no atentado ao aeroporto de Istambul subiu para 43, incluindo 13 estrangeiros. Entre as vítimas estrangeiras, há cinco sauditas, dois iraquianos, um chinês, um jordano, um tunisino, um iraniano, um ucraniano e um uzbequistanês. O número de feridos também aumentou, para 239. Destes, 109 já tiveram alta dos hospitais.

O Governo português declarou que até agora não há registo de vítimas portuguesas, nem mortos nem feridos. “Não temos, até agora, informação de portugueses atingidos pelo atentado e também não temos informações das autoridades turcas nesse sentido”, disse à Lusa fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, revelou que os agentes de segurança indicaram que o ataque foi levado a cabo pelo Estado Islâmico. “As conclusões das nossas forças de segurança apontam para o Daesh como o perpetrador deste ataque terrorista”, disse Yildirim aos jornalistas, acrescentando que “apesar de as indicações apontarem para o Daesh, as investigações vão continuar”. Ainda ninguém reivindicou o atentado.

Binali Yildirim revelou que o aeroporto de Istambul já reabriu e o tráfego aéreo voltou ao normal.

Os números estão sempre a oscilar, à medida que se faz o balanço das duas explosões que aconteceram na noite de terça-feira no aeroporto de Ataturk, em Istambul, na Turquia.

O ataque foi encetado por três bombistas e pelo menos dois deles fizeram-se explodir, disse Bekir Bozdag, ministro da Justiça turco, sendo que um deles “disparou com uma Kalashnikov” na entrada do aeroporto, esclareceu o responsável. Terão sido também atiradas quatro granadas para a zona do check-in. Nenhum dos terroristas conseguiu passar pelos controlos de segurança e entrar no terminal.

Imagem de um dos terroristas, segurando uma Kalashnikov:

https://twitter.com/RamiAILoIah/status/747915520373047296

O ministro da Justiça turco referiu que as autoridades já identificaram a organização terrorista que será responsável pelo atentado. O ataque ainda não foi reivindicado, mas fonte do governo turco disse à Associated Press que as primeiras suspeitas indicam que o Estado Islâmico está por trás do atentado. O Presidente turco classificou o ataque de “pura propaganda”, e apelou à união nacional e “cooperação global” para combater o terrorismo. O ataque “mostrou, mais uma vez, que o terrorismo é uma ameaça global”, disse. Há um grupo de crise a trabalhar no caso.

No total explodiram duas bombas: uma fora do terminal do aeroporto e a outra na zona de segurança (raio-x) na entrada do aeroporto. O aeroporto de Ataturk é o maior da Turquia e lá efetuam-se centenas de ligações. É um dos aeroportos mais movimentados do mundo – tem ligações para 113 países. Os voos entre os Estados Unidos e Istambul estão suspensos.

Há várias semelhanças entre este atentado e o que aconteceu em Bruxelas, em março deste ano: ambos aconteceram no aeroporto da cidade e ambos contam com três terroristas envolvidos.

Em Istambul são mais duas horas do que em Lisboa. Mais de dez ambulâncias acorreram ao local e os taxistas ajudaram a transportar os feridos. Aqui está o vídeo de uma das explosões:

Há muitas imagens a circular no Twitter:

https://twitter.com/RamiAILoIah/status/747920265212985344

As reações

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, descreveu o ataque como “hediondo”, e disse que o Reino Unido irá continuar a trabalhar com outros países, após o Brexit, para “manter os nossos países seguros, manter as nossas pessoas seguras”. “É particularmente importante dizê-lo esta noite novamente, após haver mais um hediondo ataque terrorista na Turquia”, disse Cameron em Bruxelas.

“Quero dizer a todos os turcos que nos consideramos unidos com eles na luta contra o terror”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel.

Já o presidente francês, François Hollande, disse “condenar fortemente o ataque” e sublinhou a necessidade de “saber exatamente quem foram os perpetradores”, para que possa fazer “todo o possível para combater o terrorismo, especialmente nesta região”.

Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, disse que está do lado da Turquia “no momento em que enfrenta esta ameaça”, reforçando a necessidade de “intensificar os esforços regionais e internacionais para combater o terrorismo e o extremismo violento”.

Quem também reagiu aos ataques foi Hillary Clinton, candidata democrata à presidência dos EUA. “Os ataques de Istambul apenas reforçam a nossa determinação em derrotar as forças do terrorismo terrorismo e do jihadismo radical em todo o mundo”, disse Clinton, sublinhando que os Estados Unidos “não se podem retirar” da luta. “Temos de aprofundar a nossa cooperação com aliados e parceiros no Médio Oriente e na Europa para lidar com esta ameaça”, concluiu Hillary Clinton.

O Papa Francisco lembrou, na oração do meio-dia desta quarta-feira, as vítimas do “atentado terrorista brutal”, e pediu a toda a praça de S. Pedro para rezar pelas vítimas, famílias e pelo “querido povo da Turquia”. “Que o Senhor converta os corações das pessoas violentas, e apoie os nossos esforços no caminho da paz”, disse Francisco.

Sucessão de ataques

Há vários meses que a Turquia está em estado de alerta por uma sucessão de atentados relacionados com o conflito curdo ou atribuídos ao Estado Islâmico. Os últimos atentados aconteceram a 7 e 8 de junho e provocaram 16 mortos e 66 feridos. A 12 de maio, oito pessoas ficaram feridas na explosão de uma viatura armadilhada perto de um quartel militar na zona asiática de Istambul.

Em fevereiro e março, dois atentados com viatura armadilhada provocaram cerca de 60 mortos no centro de Ancara, capital do país. Foram reivindicados pelos Falcões da liberdade do Curdistão (TAK), um grupo radical e dissidente do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que em 1984 desencadeou uma rebelião armada contra o Estado turco pela autonomia do Curdistão turco, com provocou mais de 40 mil mortos.

“Falta de informação”

O português Marcos Barros partiu de Lisboa, fez escala em Istambul e daí ia seguir para Singapura. Relatou à SIC Notícias o que aconteceu: “Cheguei ao aeroporto e não houve problema nenhum. O que aconteceu foi muito perto de onde estávamos (Marcos e a mulher). Ouvi o que parecia uns tiros e depois começámos a correr e escondemo-nos numa loja. Estava perto de onde se deu a explosão, no controlo dos passageiros. Ainda estou dentro do aeroporto e há falta de informação”, contou.