O CDS enviou esta sexta-feira um conjunto de perguntas ao primeiro-ministro sobre as viagens oferecidas pela Galp e aceites por membros do Governo para irem assistir a jogos da seleção portuguesa de futebol ao Euro 2016. Os democratas-cristãos querem que seja o próprio António Costa a falar sobre a polémica, garantindo se os três secretários de Estado “estão atualmente em condições de isenção e transparência para tomar decisões políticas que possam afetar direta ou indiretamente a Galp”.

Para os deputados do CDS, qualquer um dos governantes ficou “objetivamente fragilizado do ponto de vista da isenção e distanciamento” e foi atingindo na “força política necessária para tomar decisões que possam afetar direta ou indiretamente aquela empresa”.

Tal como o PSD, também o CDS quer saber se há mais governantes que tenham aceitado viajar a convite e pagos pela Galp e se, no caso particular do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, o primeiro-ministro considera que ele “possui as condições políticas necessárias para continuar a tutelar” a Autoridade Tributária, uma vez que existe um contencioso entre o Estado (representado por esta entidade) e a Galp.

A polémica surgiu na semana passada quando foi noticiado que três secretários de Estado viajaram, a convite da Galp, para assistirem em França a jogos da seleção nacional de futebol. Além de Rocha Andrade, também o secretário de Estado da Inovação, João Vasconcelos, e o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Oliveira.

O CDS lamenta ainda, no texto que antecede as perguntas enviadas ao primeiro-ministro, que tenha visto ser chumbada pela esquerda a sua intenção de reunir de emergência a Comissão Permanente (que substitui o plenário em tempo de férias) para discutir o assunto das viagens da Galp. “Não deixa de ser curioso, que algumas forças políticas que, por este ou por aquele motivo, criticavam todo e qualquer governo, e que falavam em domínio dos designados grandes grupos económicos, agora, na política atual, perante um caso destes, tenham chumbado a solicitação do Grupo Parlamentar do CDS-PP para reunir de emergência a Comissão Permanente do Parlamento para debater este assunto”, lê-se no requerimento.