Os combates entre forças turcas e unidades da aliança curda apoiada pelos Estados Unidos são “inaceitáveis”, afirmou, esta segunda-feira, um porta-voz do Pentágono, apelando a todas as partes para que lhes ponham termo.

Numa declaração escrita citada pela agência France-Presse, o porta-voz da Defesa norte-americana Peter Cook condenou os combates ocorridos a sul da cidade de Jarablus, conquistada há dias aos jihadistas por forças turcas.

“Estamos a acompanhar de perto os relatos de combates a sul de Jarablus – onde o ISIS [o grupo extremista Estado Islâmico] já não está – entre as forças armadas turcas, alguns grupos da oposição e unidades que estão ligadas às SDF”, a aliança Forças Sírias Democráticas, liderada pelos curdos, afirmou o porta-voz.

“Queremos deixar claro que consideramos esses combates inaceitáveis e fonte de profunda preocupação”, sublinhou.

“Os Estados Unidos não estão envolvidos nestas atividades, elas não foram coordenadas com forças norte-americanas e não as apoiamos”, acrescentou.

A declaração termina com um apelo “a todos os atores armados para pararem imediatamente”.

A Turquia lançou na quarta-feira uma operação militar na Síria contra os ‘jihadistas’ do Estado Islâmico e contra os curdos das Unidades de Proteção do Povo (YPG).

As YPG são o elemento principal da aliança rebelde síria apoiada pelos EUA, mas a Turquia considera-as uma organização terrorista e exige que retirem para leste do rio Eufrates, de forma a afastarem-se da fronteira com a Turquia.

As forças turcas tomaram a cidade fronteiriça de Jarablus ao Estado Islâmico no primeiro dia da operação militar, mas nos últimos dias têm-se registado combates com grupos locais ligados às SDF.

No domingo, dezenas de pessoas foram mortas em bombardeamentos turcos. Ancara disse ter morto 25 “terroristas curdos” e assegurou que as suas forças envidam todos os esforços para evitar vítimas civis.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse no entanto que pelo menos 40 civis foram mortos nos bombardeamentos turcos.