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“Não vou falar sobre esse assunto”, disse Pedro Santana Lopes ao Observador quando confrontado com as declarações de Carlos Carreiras publicadas esta terça-feira no site da revista Sábado. O coordenador autárquico do PSD assumiu, pela primeira vez, que o partido “tem claramente a sua aposta em Santana Lopes” para a Câmara Municipal de Lisboa em 2017.

Contactado pelo Observador, Mauro Xavier, presidente da concelhia de Lisboa reforça a posição verbalizada por Carlos Carreiras:

Tanto o presidente do partido, como o coordenador autárquico, o líder da distrital ou o presidente da concelhia, todos estão de acordo que seria a melhor candidatura e a que faria mais sentido”.

Se há unanimidade no partido, só Pedro Santana Lopes prefere não se desviar da linha que tem seguido. Já disse “keep cool”. Já afirmou que não era ainda “o tempo”. A 30 de agosto, no seu espaço de comentário na SIC Notícias, fez saber que, “salvo circunstâncias excecionais”, deverá mesmo manter-se à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O momento oportuno parece dividir os dirigentes sociais-democratas, uma vez que o anúncio de uma candidatura mais de um ano antes das eleições poderia ser contraproducente e desgastar Santana Lopes. Primeiro, porque se fosse candidato seria difícil de sustentar que se mantivesse à frente da Santa Casa; em segundo lugar porque a sua gestão na Misericórdia de Lisboa seria escrutinada e passada a pente fino ao longo de todos estes meses.

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Carlos Carreiras, no entanto, também disse à Sábado que o partido não podia ficar refém dos timmings do provedor da Santa Casa: “Isto não depende só da vontade de uma das partes, depende da vontade do próprio. Nós aguardamos por essa decisão, que o dr. Santana Lopes terá de tomar, mas o partido não pode ficar refém desse adiamento.” Há uma semana, na SIC, Santana Lopes tinha dito que não queria ser um fator de instabilidade para o partido: “Amigo não empata amigo”, disse. “Não pedi a ninguém para ser candidato”.

O PSD está cada vez mais pressionado pelo CDS, onde a hipótese de Assunção Cristas para Lisboa tem ganho força. O Expresso noticiou este sábado que Paulo Portas teria tentado convencer Passos Coelho a apoiar a líder conservadora para a capital. As palavras de Carlos Carreiras funcionam como uma pressão adicional sobre Santana: “Não acontecendo [uma decisão] no sentido positivo ou nos tempos que são aconselháveis, o PSD não tem de ficar refém” e abrirá um “novo processo” de seleção de um candidato, disse à Sábado.

A solução Cristas não é bem vista pelas estruturas do PSD. Mauro Xavier diz ao Observador que não está preocupado com o CDS, mas foi sempre contra uma associação com os centristas, e já se afirmou contra qualquer eventual apoio à sucessora de Portas. “Já tiveram a Maria José Nogueira Pinto, com o património que tinha em Lisboa e elegeram um vereador. Já tiveram Paulo Portas a concorrer e tiveram apenas um vereador”, diz Mauro Xavier, que argumenta: “O PSD não está preocupado com o CDS. Não nos está a condicionar o timming. Para nós não é uma questão”. O próprio Carlos Carreiras também descartou à Sábado, de forma implícita, um apoio à candidatura do CDS: “Apresentaremos candidaturas lideradas por militantes, simpatizantes ou independentes indicados pelo PSD.” Marques Mendes chegou a dizer que o apoio a Cristas seria “um suicídio”.

A janela temporal, em termos oficiais, para a apresentação dos candidatos no PSD é entre outubro e final de fevereiro. Outras fontes do PSD de Lisboa comentam que há quem ponha já a hipótese de apoiar Cristas, porque se Santana Lopes não avançar, o partido não tem um candidato com possibilidades fortes de ganhar a câmara. O cenário de Cristas avançar contra Santana poderia prejudicar uma eventual vitória ex-presidente da câmara, e atirar para a centrista a responsabilidade pela manutenção do executivo socialista. Se a presidente do CDS avançasse contra um nome social-democrata teoricamente mais fraco, os democratas-cristãos atenuavam o ónus de uma possível derrota laranja. O PSD está cada vez menos “cool”.