Espanha

Já aqui ao lado, o jornal digital El Español foi o mais entusiasta em relação à vitória anunciada de António Guterres, referindo que o ex-primeiro-ministro português personifica “o triunfo do humanismo discreto”. “Trata-se de uma vitória para uma dessas figuras políticas tão incomuns das quais ninguém consegue falar mal: apesar das diferenças ideológicas, todos os dirigentes lusos elogiam a capacidade conciliadora de Guterres, que como primeiro-ministro nunca teve inimigos políticos”, escreveu o correspondente em Lisboa daquele jornal.

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El Español (Espanha)

O ABC destacou a reação emocionada de António Costa à vitória de Guterres. “Ao primeiro-ministro português, António Costa, quase lhe saltaram lágrimas dos olhos ao saber que António Guterres, um dos seus antecessores mais ilustres, é o vencedor virtual para exercer o cargo de Secretário-Geral da ONU”, escreve aquele jornal. E o El País refere que Guterres tem “fama de excelente diplomático e maneiras suaves”.

Reino Unido

Das ilhas britânicas, a BBC recordou que durante os dez anos em que liderou o ACNUR, Guterres “apelou repetidamente aos países do Ocidente para fazerem mais para ajudarem refugiados que fogem de conflitos”. O The Guardian revelou espanto com a decisão de hoje, referindo que os 15 países do Conselho de Segurança fizeram esta quarta-feira uma “rara demonstração de união” e que “o fim abrupto da corrida para a liderança da ONU representou uma surpresa”.

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The Guardian (Reino Unido)

No Financial Times, Gideon Racham, o colunista de assuntos internacionais, publica uma análise sobre os desafios que o futuro secretário-geral terá de enfrentar, notando contudo que, “como um antigo primeiro-ministro, Guterres tem qualidades políticas bem testadas”, o que lhe pode ser muito útil.

O The Independent explica que “as esperanças de que as Nações Unidas iriam eleger a sua primeira mulher Secretária-Geral foram destruídas”, acrescentando que “a sua eleição será bem-vinda por muitos dentro da família da ONU, que na maioria olhava para ele como um líder eficaz do ACNUR”.

França

Em França, o Le Monde destaca Guterres por “conhecer muito bem a máquina da ONU”, referindo que “além disso ele é francófono”, referindo uma habitual exigência de França para não vetar um candidato no processo de seleção do Conselho de Segurança. Em setembro, o Le Monde já tinha escrito um editorial onde dizia que Guterres era “o bom candidato para ONU”, referindo com ironia que ele tinha duas desvantagens: “Ele não é uma mulher e, sobretudo, não é da Europa de Leste”.

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Le Monde (França)

A revista Le Point descreve-o como um “socialista católico” e como um “pró-europeu” que “demonstrou trabalho frente à crise dos refugiados”. A revista L’Observateur falou de Guterres assim: “Engenheiro de formação, um católico fervoroso, o socialista descreve-se a ele próprio com um homem de ação que se bateu sem trégua durante uma década pelos direitos dos migrantes”.

EUA

Do outro lado do Oceano Atlântico, nos EUA, o Washington Post refere que, apesar de Guterres ter “saído no topo” de todas as votações do Conselho de Segurança, “a sua seleção continua a ser algo surpreendente”, referindo que era esperado um veto da Rússia. Além disso refere que “o consenso em torno de Guterres foi amplamente aplaudido por grupos que gabaram a sua capacidade política e sabedoria sobre um dos pontos de conflito mais complicados do mundo: a Síria”.

O The New York Times fala de um “político veterano e um membro do partido socialista do seu país”, acrescentando ainda que o seu “primeiro e maior teste diplomático será tentar juntar a Rússia e quem quer que venha a ganhar a presidência dos EUA para tratar da carnificina na Síria”.

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The New York Times (EUA)

O Wall Street Journal, que em setembro escreveu um editorial em que declarou o apoio ao candidato sérvio, Jeremic Vuk, referindo ainda que Guterres “geriu mal” o ACNUR, escreve agora em termos mais favoráveis para o português. “Aparenta preencher todos os requisitos que os diplomatas pediram para a liderança da ONU durante tempos difíceis: um caráter forte, carisma e a habilidade de mobilizar e inspirar líderes mundiais”, escreveu aquele jornal.

Alemanha

Em terras germânicas, a revista Der Spiegel relembra o currículo de António Guterres antes de ser líder do ACNUR, referindo ele “foi desde o início dos anos 90 o líder do Partido Socialista e o primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2001”.

O Die Welt relembra que “várias vozes pediram para que pela primeira vez na história da ONU uma mulher ocupasse o seu cargo mais importante”. O Frankfurter Allgemeine diz que “o português é visto como um excelente orador que domina com fluência as línguas da ONU, o inglês e o francês, fluentemente, e o espanhol”.

Itália

Em Itália, o Corriere della Sera diz que António Guterres “é um político de longo curso e com experiência internacional”. Já o La Repubblica deixa o título “Onu: nada de revolução rosa”, aludindo ao facto de o Conselho de Segurança não ter indicado que vai escolher uma mulher na votação de quinta-feira. Já o La Stampa escreve que Guterres “conhece bem toda a estrutura da ONU”.

Bulgária

A Bulgária foi um dos países que mais investiu na campanha para a liderança das Nações Unidas, em parte motivada pela exigência de a próxima pessoa a chegar ao cargo mais alto da diplomacia mundial ser uma mulher e da Europa de Leste. Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, foi a primeira búlgara a receber o apoio do Governo de Sófia. Recentemente, o primeiro-ministro, Boiko Borisov, alterou a sua recomendação para Kristalina Georgieva, atualmente comissária europeia.

Perante as notícias de hoje, o jornal Trut escreveu: “Não é mulher, nem é da Europa de Leste: António Guterres venceu a corrida para as Nações Unidas”. Um título semelhante do 24 Tchassa: “Nem mulher, nem da Europa de Leste. Irina fica três lugares à frente de Kristalina”. Na sua edição online em inglês, a agência de notícias búlgara Novinite escreveu que fontes disseram que o resultado de Georgieva foi “uma desilusão”.

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Trut (Bulgária)