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Subir agora as pensões sem assegurar que essa subida é sustentável a prazo cria expectativas que vão custar mais a reverter, avisou o Vítor Bento. Em entrevista à Rádio Renascença, o economista critica a narrativa de contestação do passado e deixa o alerta: “Estamos a construir uma casa de palha”. Faz contudo elogios à atuação do Governo na banca.

Nesta entrevista, o presidente não executivo da SIBS (Sociedade Interbancária de Serviços) usa a história dos três porquinhos. “Se nos esforçarmos por construir uma casa de pedra, resiste mais ao sopro do lobo, do que se estivermos a construir uma casa de palha. E em Portugal, “estamos a construir uma casa de palha. E estamos a construir uma casa de palha porque não há consenso político suficiente”.

Para Vítor Bento, a narrativa política dominante é a contestação do que foi feito no passado, mas isso não chega como narrativa de futuro. Ainda que reconheça que grande parte da solução tem de ser encontrada a nível europeu, lembra o que isso implica. “Temos de estar disponíveis para fazer o que é necessário e isso não está demonstrado. Não estamos a segurar a execução orçamental por convicção, estamos a tratá-la porque somos obrigados a isso.”

O economista avisa ainda que não há suficiente convicção no País de que não podemos continuar como no passado e com a ideia de que a crise “foi uma coisa transitória, que passou e que podemos voltar e isso não é sustentável”.

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E dá o exemplo do anunciado aumento das pensões para 2017 — cujo valor ainda está a ser negociado entre o governo e os partidos à esquerda. “Vamos conseguir pagar essas pensões por 10 a 15 anos ou daqui a poucos anos vamos ter de reverter tido outra vez?”. O presidente da SIBS alerta para o risco desta medida criar expectativas que vão custar mais a reverter se não for decidida num quadro de sustentabilidade.

O presidente da SIBS diz também que tem dificuldade em imaginar uma política mais agressiva contra o investimento e avisa que mesmo as medidas anunciadas não se concretizem, acabam por ter um impacto negativo, sobretudo pelo tom com que são anunciadas.

Vítor Bento deixa contudo palavras positivas para a atuação no setor da banca. Fazendo uma ressalva em relação ao Banif, cuja resolução deu muito pouca margem de manobra ao Executivo socialista, o economista sublinha que este Governo “tem estado bem na banca, tem tentado resolver os problemas”.

E considera que a aprovação da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos nos termos em que foi feita foi “uma vitória notável do ponto de vista político e técnico”. Deixa ainda elogios à escolha da administração da Caixa Geral de Depósitos, cuja equipa não tem nenhum “comissário político”.