A Volkswagen chegou a um acordo crucial com os seus trabalhadores que prevê o corte de até 30 mil postos de trabalho a nível mundial até 2021 e uma redução nos custos de 3,7 mil milhões de euros, anunciou esta sexta-feira a empresa, confirmando as várias notícias que saíram na imprensa durante a madrugada.

A redução do número de trabalhadores vai afetar, sobretudo, as operações na Alemanha, onde estará prevista a eliminação de cerca de 23 mil postos de trabalho. As saídas serão processadas através de reformas antecipadas e pela não substituição de colaboradores que saiam. Em causa está a diminuição de 5% da força de trabalho do gigante alemão que não deverá contudo afetar a fábrica da Autoeuropa em Portugal que se prepara para receber um novo modelo.

O acordo com os trabalhadores é fundamental para levar avante a reestruturação da Volkswagen que é a resposta ao impacto do escândalo resultantes das fraude nas emissões dos carros a gasóleo, que rebentou no ano passado nos Estados Unidos. Esta é a maior crise na história do principal fabricante automóvel na Europa. Os custos extraordinários em processos e multas pode atingir pelo menos 18 mil milhões de euros.

Como compensação pelo acordo dos trabalhadores, a Volkswagen aceitou banir os layoffs (dias em que os trabalhadores ficam em casa sem receber) forçados até 2025 e vai construir dois modelos totalmente elétricos nas unidades alemãs de Wolfsburg e Zwickau. O grupo, que emprega 624 mil pessoas a nível mundial, vai ainda reservar 9.000 novos empregos para novos projetos que incluem a mobilidade elétrica, entre outros.

Para o responsável pela divisão automóvel da VW, Herbert Diess, este acordo representa um grande passe em frente, talvez o maior dado na história da empresa”, que vai além dos problemas causados pelo dieselgase.

“Todos os construtores têm de se reconstruir a si próprios por causa das iminentes mudanças na indústria. Precisamos de enfrentar esta tempestade.”

Autoeuropa mantém plano de investimento

Ainda não se conhecem os impactos deste plano nos vários mercados onde está o grupo, mas fonte oficial da Autoeuropa, citada pelo Público e pelo Jornal de Negócios, garante que o plano de investimentos se mantém inalterado, tal como o programa de lançamento do novo modelo em 2017 e a contratação de novos colaboradores. Segundo a mesma fonte, a reestruturação anunciada esta sexta-feira na sede do grupo na Alemanha não terá impacto ao nível dos postos de trabalho, embora possa exigir um esforço adicional de contenção de custos.

Em Portugal, a fábrica do grupo em Palmela, que emprega atualmente cerca de 3.600 trabalhadores, deverá contratar mais 1.200 colaboradores para acomodar o novo modelo que será produzido a partir do próximo ano. Contactado pelo Observador, António Chora, coordenador da comissão de trabalhadores, adianta que não espera impactos desta reestruturação nos planos da fábrica de portuguesa, mas aguarda por mais esclarecimentos por parte da administração portuguesa — o diretor geral da unidade de Palmela está na Alemanha.

António Chora vai estar na sede do grupo em Wolfsburg na Alemanha, onde as comissões de trabalhadores da Volkswagen vão estar reunidas com a administração entre os dias 5 e 8 de dezembro e ter mais informação sobre os planos anunciados esta sexta-feira pelo construtor.