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China

China agradece a São Tomé e Príncipe corte de relações com Taiwan

O Governo chinês agradeceu a São Tomé e Príncipe a decisão de cortar relações diplomáticas com Taiwan. Corte é justificado com a agenda de transformação do país.

DAVID CHANG/EPA

O Governo chinês agradeceu esta quarta-feira a São Tomé e Príncipe pela decisão de cortar relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer a República Popular da China, aceitando Pequim como o único Governo legítimo de toda a China.

“A China agradece e dá as boas-vindas ao regresso de São Tomé e Príncipe ao lado certo do princípio ‘Uma só China'”, afirmou hoje Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, citado num comunicado.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a “reunificação pacífica”, mas ameaça “usar a força” caso a ilha declare independência.

Já Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China. Pequim e Taipé afirmam que existe uma só China.

São Tomé e Príncipe suspendeu as relações diplomáticas com Pequim em 1997, reoconhecendo Taiwan.

Taiwan era um dos quatro “tigres asiáticos”, ao lado da Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura. Apoiada numa pujante economia, a ilha investia muito dinheiro na expansão do seu espaço político internacional.

Entretanto, a República Popular da China tornou-se a segunda maior economia mundial, com as maiores reservas cambiais do planeta, no valor de 3,44 biliões de dólares.

Desde 2000, Pequim concedeu quase 100 mil milhões de dólares (96 mil milhões de euros) em assistência financeira aos países africanos, tornando-se o principal parceiro comercial do continente.

“O princípio ‘Uma só China’ [visto por Pequim como garantia de que Taiwan é parte do seu território] é o pré-requisito e base política para a China manter e desenvolver relações amigáveis e de cooperação com outros países”, afirmou Hua.

O governo são-tomense anunciou na terça-feira o corte de relações diplomáticas com Taiwan e o reconhecimento da República Popular da China. O anúncio foi feito em comunicado saído de uma reunião do Conselho de Ministros e assenta no reconhecimento do princípio da existência de uma só China.

No comunicado de oito parágrafos, o governo refere a “conjuntura internacional atual e da sua perspetiva de evolução e tendo em conta a agenda de transformação do país e os objetivos de desenvolvimento do milénio” como um dos motivos da rutura com Taiwan.

“As tensões prevalecentes no plano internacional, a multipolarização dos centros de decisão, bem como a defesa cada vez mais aguerrida dos interesses nacionalistas por parte dos principais atores da cena internacional em detrimento do multilateralismo, opção de longe mais favorável a expressão dos pequenos estados”, foi igualmente justificado pelo governo são-tomense para o corte de relações com Taiwan.

A decisão de São Tomé reduz para 21 os Estados que mantêm laços diplomáticos com Taipé, incluindo dois em África – Suazilândia e Burkina Faso – e a Santa Sé.

O corte de relações com Taiwan abre a porta à entrada de São Tomé no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum Macau, criado em 2003 por Pequim.

A decisão de São Tomé surge depois de, no início deste mês, o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ter aceitado a chamada telefónica da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, quebrando com 40 anos de protocolo da diplomacia norte-americana.

O magnata chegou mesmo a contestar a política “Uma só China”, a menos que seja feito “um acordo com a China sobre outras coisas, incluindo no comércio”.

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