A primeira-ministra britânica, Theresa May, considera que a atitude dos Estados Unidos da América relativamente a Israel na questão dos colonatos “não foi apropriada”. May criticou especialmente o secretário de Estado, John Kerry, que classificou o governo israelita, liderado por Benjamin Netanyahu, como “o mais à direita da História”. Apesar de deixar bem claro que o Reino Unido é contra a construção de colonatos israelitas ilegais em território palestiniano, Theresa May mostrou-se desagradada com o facto de os EUA terem permitido a aprovação de uma resolução, no Conselho de Segurança da ONU, que condena a atuação de Israel.

Por um lado, defende May, os EUA não devem criticar um governo democraticamente eleito, como o de Netanyahu. Por outro, a governante britânica considera que as negociações de paz deviam seguir outro caminho. “Não acreditamos que a forma de negociar a paz seja focar-se apenas num assunto — neste caso a construção de colonatos — quando, claramente, o conflito entre israelitas e palestinianos é profundamente complexo”, afirmou May, citada pela imprensa britânica.

Explicador. Afinal, porque é que Israel se sente atacado?

Em comunicado enviado aos jornais britânicos, o Departamento de Estado dos EUA já reagiu às palavras de Theresa May. “Estamos surpreendidos pelas declarações do gabinete da primeira-ministra do Reino Unido, dado que o que disse o secretário Kerry — que incluiu as ameaças à solução de dois estados, como o terrorismo, a incitação à violência e os colonatos — se alinham com a política há muito seguida pelo Reino Unida, e com o seu voto na semana passada nas Nações Unidas”, lê-se na nota.

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As críticas de Theresa May juntam-se às de Donald Trump, que tem atacado duramente as posições de Barack Obama sobre Israel. Na quarta-feira, poucos dias depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter aprovado a resolução polémica, o presidente eleito dos EUA escreveu no Twitter: “Não podemos continuar a deixar que Israel seja tratado com tanto desdenho e desrespeito. Eles costumavam ter um grande amigo nos EUA, mas agora já não”. E acrescentou: “Mantém-te forte, Israel, 20 de janeiro está a aproximar-se rapidamente”.

É nesse dia que Donald Trump inicia oficialmente funções como presidente dos EUA, e já deixou o aviso às Nações Unidas, através do Twitter: “Em relação à ONU, as coisas vão ser bem diferentes depois de 20 de janeiro”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, a 23 de dezembro, uma resolução que condena Israel pela construção de colonatos fora do seu território, nomeadamente na Cisjordânia. O documento, foi originalmente apresentado pelo Egito, mas, após um telefonema de Donald Trump, o presidente egípcio acabou por desistir da apresentação da resolução. O mesmo texto foi proposto um dia depois por Malásia, Nova Zelândia, Senegal e Venezuela, e aprovado com 14 votos a favor e a abstenção dos Estados Unidos. Esta abstenção permitiu a aprovação do texto (visto que os EUA têm poder de veto no conselho), e é encarada como uma posição forte de Obama, que aproveitou o facto de estar a poucos dias de deixar a Casa Branca para tomar uma decisão no sentido do que sempre defendeu — os colonatos têm sido um dos grandes motivos de afastamento entre Obama e Netanyahu.

Entretanto, um documento secreto divulgado por um site de notícias egípcio, e cuja autenticidade ainda está por comprovar, dá conta de que os EUA terão negociado com as autoridades palestinianas dez dias antes da votação da resolução. Num encontro entre o secretário de Estado, John Kerry, a Conselheira para a Segurança Nacional, Susan Rice, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina, Saeb Erekat, EUA e Palestina terão negociado sobre os termos da resolução do conflito, condição sob a qual os EUA aceitaram viabilizar a resolução da ONU que condena Israel pela construção de colonatos na Palestina.