Nacionalização, sim ou não? A questão vai hoje a debate no Parlamento, por proposta do BE e do PCP, que apresentaram projetos de resolução a recomendar esse modelo ao Governo. O PS, contudo, não está alinhado com as propostas dos seus dois parceiros da maioria de esquerda e vai votar contra, conforme avançou o líder da bancada socialista ao Público. “O ideal é a venda”, voltou a defender Carlos César.

O líder parlamentar admite que, se os projetos de resolução forem votados ponto a ponto, o PS pode não rejeitar os pontos mais generalistas sobre o sistema bancário. Mas irá opor-se à aprovação de qualquer menção à “nacionalização” do Novo Banco. E explica porquê: “O nosso entendimento não é o de nacionalizar o Novo Banco, é de o manter na esfera pública, se não existir nenhuma proposta de compra que seja vantajosa e proporcional ao valor que o Governo atribui à instituição bancária em causa”, argumenta. “Nesse sentido as propostas que estão hoje em votação não são compagináveis com a posição do PS porque excluem à partida qualquer processo negocial.”

Ainda de acordo com a notícia do Público, o Governo só admite pensar numa solução alternativa à venda do Novo Banco a privados se se esgotarem todas as etapas de negociação que estão a decorrer entre o Banco de Portugal e os candidatos à compra, em particular o fundo norte-americano Lone Star.

Se as negociações falharem, o Governo de António Costa optará por uma solução que não passa pela nacionalização pura e simples, reforça o mesmo artigo. O ministro das Finanças, Mário Centeno, já tinha abordado essa possibilidade, mantendo o banco na esfera do Estado. Um modelo que o PS também aceita. Recorde-se que, em entrevista ao DN e à TSF, a 4 de Janeiro, Centeno adiantou que, mesmo depois da decisão do Banco de Portugal sobre a proposta vencedora à corrida do Novo Banco “o processo não termina aqui”. O ministro das Finanças não excluiu a possibilidade do banco ser nacionalizado, reforçando que “nada está fora de questão quando se trata de garantir a estabilidade do sistema financeiro”.