Em 88 anos, os Óscares de Hollywood acumularam muitas histórias, muitos momentos altos, muitas distinções merecidas e muitos recordistas de prémios. Mas também bastantes omissões, injustiças e recordistas pela negativas. A poucas horas de mais uma cerimónia de entrega das estatuetas, em Los Angeles, recordamos alguns dos campeões absolutos e dos favoritos dos Óscares, a par com vários dos derrotados crónicos e dos escandalosamente esquecidos pelos membros da Academia.

Walt Disney

O realizador de clássicos da animação como “Branca de Neve e os Sete Anões” ou “A Bela Adormecida” detém o recorde absoluto de Óscares ganhos, com 23 estatuetas. Alguns dos filmes vencedores não foram directamente realizados por Disney, que no entanto esteve sempre ligado à sua concepção, desenvolvimento e supervisão. Houve vezes em que os Óscares foram recebidos por colaboradores seus. O grande ano de Walt Disney foi 1954, em que teve seis nomeações e ganhou quatro Óscares.

Peter O’Toole

O homem que personificou Lawrence da Arábia no cinema foi o intérprete que mais nomeações teve para o Óscar de Melhor Actor – oito – sem ter ganho uma única vez. O’Toole foi indicado por “Lawrence da Arábia” (1963), “Becket” (1964), “O Leão no Inverno” (1969), “Adeus, Mr. Chips” (1970), “A Classe Dominante” (1972), “O Fugitivo” (1981), “Meu Ano Favorito” (1982) e “Venus” (2007). Em 2003, a Academia lá lhe concedeu um Óscar Honorário.

Dennis Muren

O veterano dos efeitos visuais é a pessoa viva com mais Óscares ganhos. Muren recebeu já nove, oito na respectiva categoria e mais um por excelência na sua especialidade. As vitórias foram pelo seu trabalho em “O Império Contra-Ataca” (1981), “E.T. — O Extraterrestre” (1983), “O Regresso de Jedi” (1984, este o Óscar especial), “Indiana Jones e o Templo Perdido” (1985), “O Micro-Herói” (1987), “O Abismo” (1990), “Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento” (1992), e “Parque Jurássico” (1994).

Alfred Hitchcock

Se há grande realizador com quem a Academia sempre embirrou, foi, incrivelmente, Alfred Hitchcock. Entre 1941 e 1961, ele viu-se nomeado cinco vezes para o Óscar de Melhor Realizador, mas nunca ganhou: “Rebecca” (1941), “Um Barco e Nove Destinos” (1945), “A Casa Encantada” (1946), “Janela Indiscreta” (1955) e “Psico” (1961). Em 1968, lembraram-se de lhe conceder o Prémio Irving Thalberg. Ao recebê-lo das mãos de Robert Wise, Hitchcock disse apenas: “Thank you. Very much indeed”.

Trio de recordistas

O recorde de Óscares ganho por um filme está em 11, e apenas três conseguiram essa proeza até hoje. São eles “Ben Hur”, de William Wyler, em 1960, 11 estatuetas em 12 nomeações (só perdeu a de Melhor Argumento Adaptado); “Titanic”, de James Cameron, em 1998, 11 estatuetas em 14 nomeações (só perdeu as de Melhor Actriz, Actriz Secundária e Maquilhagem); e “O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei”, de Peter Jackson, em 2004, 11 Óscares em outras tantas nomeações, o que constitui outro recorde destes prémios.

Glenn Close

A intérprete de “Ligações Perigosas” é a actriz viva mais vezes nomeada aos Óscares e que nunca levou um para casa. Close foi indicada três vezes para Melhor Actriz (“Atracção Fatal”, em 1988, “Ligações Perigosas, em 1989” e “Albert Nobbs”, em 2012) e outras três para Melhor Actriz Secundária (“O Estranho Mundo de Garp”, em 1983, “Os Amigos de Alex”, em 1984, e “Um Homem Fora de Série”, em 1985. Mas ainda pode ter esperança de ser premiada um dia destes.

Katharine Hepburn

A recordista de Óscares de Melhor Actriz não é Meryl Streep mas sim Katharine Hepburn, com um total de quatro estatuetas em 12 nomeações. Foram elas por “Glória de um Dia”, em 1934; “Adivinha Quem Vem Jantar?”, em 1968; “O Leão no Inverno”, em 1969 — este “ex aequo”, e polemicamente, com Barbra Streisand; e “A Casa do Lago”, em 1982. Avessa a cerimónias de prémios, Hepburn nunca foi receber os seus Óscares, encarregando sempre colegas de o fazer por ela.

Stanley Kubrick

O autor de “2001: Odisseia no Espaço” é outro dos mais conhecidos e escandalosos perdedores da história dos Óscares. Falhou por quatro vezes o Óscar de Melhor Realizador (“Doutor Estranhoamor”, em 1965, “2001: Odisseia no Espaço, em 1969, “Laranja Mecânica”, em 1972, e “Barry Lyndon”, em 1976) , e por cinco o de Melhor Argumentista, nestes quatro filmes e ainda em “Nascido para Matar” (1987). Ganhou, no entanto, o Óscar de Melhores Efeitos Visuais por “2001: Odisseia no Espaço”, mas não o foi receber.

Edith Head

A mulher que mais Óscares conquistou foi a lendária Edith Head. Recebeu oito, todos eles na categoria de Melhor Guarda- Roupa, nos filmes “A Herdeira” (1950), “Eva” e “Sansão e Dalila” (1951), “Um Lugar ao Sol” (1952), “Férias em Roma” (1954), “Sabrina” (1955), “Coisas da Vida” (1960) e “A Golpada” (1974). Os dois Óscares ganhos por Head em 1951 referem-se a uma altura em que a Academia premiava filmes a preto e branco e a cores nesta categoria.

Kevin O’Connell

O nome não será familiar a muita gente, mas Kevin O’Connell detém o título de maior perdedor da história dos Óscares de Hollywood. Desde 1983, O’Connell já foi nomeado vinte vezes (incluindo este ano, por “O Herói de Hacksaw Ridge”, de Mel Gibson) para o Óscar de Melhor Som, e não ganhou um único. Talvez esta madrugada ele consiga finalmente quebrar um enguiço que dura há mais de 30 anos.

Perder por esmagamento

Todos os anos, há um ou dois filmes que acabam por ser os grandes perdedores dos Óscares. Estatisticamente, e se olharmos para os números frios, os maiores derrotados de sempre são dois dramas: “A Grande Decisão”, de Herbert Ross, na cerimónia de 1978, e “A Cor Púrpura”, de Steven Spielberg, na de 1987. Ambos receberam onze nomeações e acabaram a noite sem um Óscar sequer.

Só três nos “Big Five”

Apenas três filmes nas 88 edições dos Óscares conseguiram ganhar os cobiçados “Big Five”, as cinco estatuetas mais importantes: Melhor Filme, Realizador, Actor, Actriz e Argumento (Original ou Adaptado). Foram eles “Uma Noite Aconteceu”, de Frank Capra, em 1935 (uma comédia, coisa raríssima); “Voando Sobre um Ninho de Cucos”, de Milos Forman, em 1976; e “O Silêncio dos Inocentes”, de Jonathan Demme, em 1992. Irá “La La Land: Melodia de Amor”, de Damien Chazelle, juntar-se-lhes esta noite?

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