O CaixaBI diz que o reforço de capital do BCP, de 1,33 mil milhões de euros, em fevereiro, acabou com os receios que existiam em relação à capitalização do banco. Com esse fator de incerteza resolvido e num ano que será de “transição” — 2017 –, o CaixaBI decidiu retomar a cobertura das ações do BCP e a análise é otimista: uma recomendação de “comprar“, com um preço-alvo de 25 cêntimos por ação, ou seja, cerca de 50% mais do que a ação valia na última sessão.

2017 é um ano de transição para o banco. Esta foi a mensagem que o BCP quis passar na apresentação de resultados de 2016, um exercício em que o banco colocou de lado 1.600 milhões de euros em imparidades de crédito — justificadas pelo presidente Nuno Amado com o trabalho de anteriores equipas de gestão. Na nota em que retoma a cobertura das ações do BCP, o analista André Rodrigues, do CaixaBI, está confiante de que o banco vai conseguir aproveitar o reforço de capitais e o reconhecimento de imparidades para iniciar um novo capítulo.

São positivas as expectativas do BCP (e também do analista do CaixaBI) sobre a evolução das receitas e no horizonte do banco poderão estar lucros (excluindo provisões) de mil milhões de euros. A ajudar a margem financeira do banco vai estar o facto de serem reembolsados os 750 milhões de euros que faltava devolver do empréstimo estatal. Esse empréstimo estatal implicava um pagamento de juros elevados (de quase 10% ao ano), pelo que acabar com esse custo será positivo para os resultados e ajudará a voltar a pagar a dividendos aos acionistas.

Ainda assim, embora o CaixaBI acredite que o BCP tenderá a registar menos imparidades de crédito daqui para a frente, esse não é um problema totalmente resolvido. E há, também, um “contexto macroeconómico em Portugal que é de crescimento baixo (1,4% de crescimento do PIB em 2017, estima o banco), sem uma grande aceleração dos volumes de crédito concedido em 2017 e 2018.

Com os chineses da Fosun a assumirem uma posição de 23,5% no capital do banco e a saída dos espanhóis do Sabadell, os últimos meses trouxeram, também, uma maior clareza sobre a estrutura acionista, onde continua a Sonangol com 14,9%. Esse é outro fator que contribui para que o CaixaBI tenha retomado a cobertura, que estava suspensa. O CaixaBI antecipa “uma normalização gradual da situação do banco como proposta de investimento, ao longo dos próximos dois anos, sem quaisquer capitais públicos e sem limitações à estratégia do banco, o que acontece pela primeira vez desde o início de 2012”.

Por outro lado, escreve o analista André Rodrigues, do CaixaBI, “o principal dilema para o BCP é conseguir deslocar as atenções dos investidores das questões relacionadas com a qualidade dos ativos no balanço para as perspetivas de rentabilidade”. Se assim for, então o CaixaBI acredita que as ações estão a ser subestimadas pelo mercado, daí o potencial de valorização implícito no “preço-alvo” do BCP.

As ações do BCP estão a disparar 5,4% para 0,1743 euros, na sessão bolsista na Euronext Lisbon.