Agora é um monumento nacional e um dos pontos turísticos obrigatórios para quem visita a Irlanda. Mas, durante quarenta anos, a prisão de Kilmainham foi deixada ao abandono depois de ter recebido alguns dos políticos mais poderosos do país. Tornou-se assim numa das maiores prisões desocupadas da Europa. E as marcas deixadas pelos prisioneiros nas paredes ainda contam parte da História irlandesa.

Mandada erguer em 1792, nove anos antes de a Grã-Bretanha se ter fundido com o Reino da Irlanda, vários rebeldes e políticos irlandeses foram mandados executar nesta prisão. Entre eles estão Thomas Francis Meagher (nacionalista irlandês que foi general do Exército da União durante a Guerra Civil Americana), Charles Stewart Parnell (outro nacionalista que foi membro do Partido Parlamentar Irlandês e representante no Parlamento em Londres) e catorze membros da Revolta da Páscoa, uma rebelião durante a Semana Santa de 1916 que tinha como missão recuperar a independência irlandesa em relação ao Reino Unido. Robert Emmet — o republicano de uma família muito rica com raízes em Inglaterra que dirigiu uma revolta contra o governo britânico em 1803 — também esteve detido em Kilmainham. Foi acusado de traição e morreu por enforcamento nas ruas, onde costumava discursar em busca de apoiantes.

Entre execuções e enforcamentos, a prisão de Kilmainham também assustiu a casamentos. Um dos membros da Revolta da Páscoa, Joseph Plunkett, casou mesmo antes de ter sido baleado por elementos do Exército Britânico no Terreiro de Stonebreaker. Foi neste sítio que outros treze membros morreram, ao longo de dez dias, também executados pelos ingleses.

Mas a prisão de Kilmainham não recebia apenas figuras importantes do mundo político: homens, mulheres e crianças ficavam juntos nas celas, num máximo de cinco pessoas por divisão. Algumas delas eram detidas por roubo e por mendigar na rua. Uma das crianças mais jovens a ser presa tinha sete anos e fora detida por ter roubado um cobertor. Dentro das celas havia apenas uma vela, acesa todas as noites, que tinha de durar duas semanas. Era a única fonte de luz e de calor dentro da divisão.

A última pessoa a ser detida em Kilmainham foi Éamon de Valera, a 16 de julho de 1924, que chegou a ser o primeiro presidente do Estado Livre Irlandês. Ninguém voltou a entrar na prisão até aos anos sessenta, quando uma equipa de recuperação decidiu transformar o espaço num museu nacional. Há exposições de cultura, pinturas e objetos usados pelo prisioneiros. E foram mantidas nas paredes algumas das mensagens deixadas pelos detidos ou pelas suas famílias.