O UKIP enfrenta uma possível viragem à extrema-direita. O partido independentista recebeu cerca de mil novos militantes em apenas duas semanas e serão apoiantes da candidata conservadora Anne Marie Waters, que já tornou pública a sua candidatura à liderança do partido.

Os membros do partido receiam que o número não seja apenas um mero acaso, uma vez que está aberta a corrida à liderança do UKIP desde que Paul Nuttal se demitiu, na sequência das últimas eleições, e Nigel Farage fez saber que não se iria candidatar novamente. Waters anunciou formalmente a sua candidatura este sábado, depois de ter estado envolvida em polémica pelas suas afirmações.

A nova candidata descreveu o islamismo como sendo “mau” e uma “fé supremacista, expansionista, e totalitária, orientada para a dominação mundial”. Waters garantiu que “as pessoas têm medo” da religião pelo bem dos seus filhos.

O UKIP contabilizou cerca de 15 mil votos nas últimas eleições, em novembro, que colocaram Paul Nuttall na liderança. Por isso, membros do partido acreditam que bastam cinco mil votos para colocar Waters na frente da corrida. “É possível que numa corrida com vários candidatos, sem um favorito, uma eleição possa ser ganha com apenas cinco mil votos. Por isso, mil membros novos em apenas duas semanas pode muito bem virar os resultados”, garante uma fonte do partido citada pelo The Guardian.

As apresentações de candidaturas terão de ser feitas até ao fim do mês de julho e o sucessor de Nuttall será decidido por sufrágio direto antes da conferência anual do partido, em setembro.

O medo é que o partido vire à extrema-direita. O UKIP tem uma política de não permitir o registo de militantes que tenham pertencido a grupos de extrema-direita. Contudo, é muito difícil filtrar estas pessoas, especialmente aquelas ligadas a grupos informais e, na sua maioria, anónimos.

A acontecer, será o “fim do partido”, garantem as fontes contactadas pelo jornal britânico. Esta é a terceira eleição para a liderança do UKIP no espaço de um ano. Fundado com o objetivo de levar a cabo um Brexit equilibrado — agora apoiado pelos Conservadores e pelo Partido Trabalhista — o UKIP viu diminuir a sua base popular de quatro milhões de votos em 2015 para menos de 600 mil nas últimas eleições.