James Comey, o ex-diretor do FBI que foi demitido por Donald Trump, vai publicar um livro e promete fazer revelações sobre a sua experiência no serviço público norte-americano, incluindo o breve período em que desempenhou funções durante o mandato do atual presidente dos Estados Unidos. A notícia foi avançada pelo New York Times e, de acordo com dois sócios da agência literária Javelin que representam Comey, Keith Urbahn e Matt Latimer, “todas” as maiores editoras do país estão a disputar a publicação da obra.

O interesse manifestado, depois de reuniões destinadas a discutir a edição do livro, levou à decisão de realizar um leilão entre as editoras, iniciativa que deverá decorrer durante a próxima semana. As investigações ao server de e-mail da Hillary Clinton, pelo facto de a antiga secretária de Estado norte-americana ter usado uma conta privada para trocar mensagens oficiais, bem como o caso das interferências russas nas eleições presidenciais que, em 2016, opuseram Clinton e Trump, são dois dos dossiês quentes que James Comey vai abordar, sobre os quais poderão surgir informações até agora não reveladas publicamente.

Trata-se de um livro “sobre liderança e a busca da verdade”, afirmou Latimer ao New York Times, “baseada nas lições e nas experiências” de Comey ao longo da carreira profissional. O antigo diretor do FBI desempenhou o cargo durante quatro anos e tinha, ainda, mais seis anos de mandato pela frete quando foi dispensado pela atual administração. Após a decisão da Casa Branca, Comey decidiu divulgar informação sobre conversas que manteve com Donald Trump, entre as quais uma em que o presidente lhe pediu para deixar cair a investigação sobre o ex-conselheiro para a segurança nacional, Michael T. Flynn.

Flynn foi acusado de ter enganado o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, sobre a natureza e o conteúdo de conversas e contactos que manteve com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak. O volume dos números envolvidos nas negociações entre os representantes de James Comey e as editoras interessadas em publicar o livro é desconhecido, mas o New York Times admite que se tratará de uma soma com oito dígitos, isto é, na ordem da dezena, ou dezenas, de milhões de dólares.