Angela Merkel poderá completar 16 anos na liderança do governo alemão no caso de alcançar a vitória nas eleições legislativas que se realizam a 24 de setembro. Numa entrevista à estação de televisão ARD, divulgada neste domingo, a chanceler garantiu que a corrida à reeleição implica a promessa de cumprimento de um novo mandato de quatro anos, o quarto consecutivo desde que ascendeu ao cargo pela primeira vez em 2005, o que colocaria Merkel a par de Helmut Khol na lista de líderes de governo com maior longevidade no cargo no regime instituído na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.

Em resposta a críticas que lhe foram dirigidas por Martin Schulz, candidato social-democrata à liderança do governo de Berlim, Merkel afirmou que o governo que lidera atualmente, em coligação com o SPD, já aumentou os gastos públicos de investimento em áreas como a banda larga, estradas e infantários. Schulz havia afirmado tratar-se de uma questão de “justiça entre gerações” não deixar uma país “delapidado”, alertando que ser necessário investir com o objetivo de legar as “mesmas condições” de que a geração que está no poder desfrutou. O “plano para o futuro” do líder social-democrata inclui o objetivo de investir o excedente orçamental da Alemanha em projetos de infraestruturas.

Merkel defendeu-se com as barreiras burocráticas que disse existirem à aplicação de fundos públicos, o que, considerou, requer processos de planeamento mais acelerados. “Nesta altura, não podemos gastar o dinheiro de que dispomos”, disse a chanceler alemã, adiantando que, do seu ponto de vista, a questão não é a de gastar mais dinheiro, mas a de tornar mais rápido o planeamento dos investimentos públicos.

O argumento usado pela líder alemã é semelhantes àquele com que respondeu ao presidente francês há três dias, durante um encontro que manteve que reuniu Emanuel Macron e Angela Merkel. O atual inquilino do Palácio do Eliseu retomou as críticas a Berlim devido aos excedentes da balança de transações correntes germânica, que têm sido partilhadas por diversos economistas, e sublinhou que os desequilíbrios gerados por esta situação persistente podiam ser superados através de uma política expansionista na Alemanha, capaz de estimular a procura interna do país.

As sondagens mais recentes colocam Angela Merkel em boa posição para vencer as eleições. A CDU/CSU poderá conquistar 38% dos votos, com uma vantagem de 13 pontos sobre o SPD, de acordo com um estudo realizado pela Emnid, publicado pela edição de domingo do Bild. Os restantes partidos, segundo a mesma sondagem, deverão ter resultados inferiores a 10%. Junto dos sociais-democratas, estes resultados constituem uma desilusão, depois de os estudos de opinião terem chegado a dar um empate entre o SPD e a CDU/CSU em janeiro passado, quando Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, ter sido escolhido pelo seu partido para se candidatar à liderança do governo.