O Ministério Público (MP) está a investigar uma nova queixa de agressão na esquadra da polícia de Alfragide. Segundo o Diário de Notícias, o incidente ocorreu no dia 7 de fevereiro, quando a autarquia estava a demolir algumas habitações no bairro 6 de maio, na Amadora. A alegada vítima, de origem cabo-verdiana, recusou-se a abandonar a sua casa.

A PSP referiu, na altura dos factos, que o homem de 50 anos não acatou as ordens policiais e agrediu dois agentes. A polícia instaurou, em seguida, uma queixa policial.

As agressões, que terão levado o homem a ficar internado no hospital durante três dias, terão ocorrido a caminho da esquadra de Alfragide, para onde foi levado algemado, e dentro das instalações policiais.

Recorde-se que o Ministério Público acusou 18 agentes da mesma esquadra de crimes de tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física, agravados pelo crime de ódio e discriminação racial, à conta de um episódio de agressões contra jovens também de origem cabo-verdiana, no bairro da Cova da Moura.

Três dos agentes acusados poderão estar envolvidos no episódio de alegada agressão do passado dia 7 de fevereiro.

Agentes da PSP acusados de crimes de tortura, racismo e injúria

A queixa chegou ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Amadora, que está a investigar o caso, depois de serem conhecidas estas acusações. “Apenas coincidência”, garante o advogado do homem de 50 anos, acrescentando que “estão a ser recolhidas provas” desde a altura em que se deu a alegada agressão.

O vereador do PCP, que denunciou a situação durante uma reunião da Câmara da Amadora, sublinha “algumas semelhanças narrativas” entre os dois casos. Francisco Santos disse ainda ter ido visitar o homem, depois de ter saído do hospital, e que ele lhe mostrou “os hematomas que tinha por todo o corpo”.